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Por Redação
A Vale mais do que dobrou, em um ano, a produção de minério de ferro obtida a partir do reaproveitamento de rejeitos e estéreis, alcançando 26,3 milhões de toneladas em 2025. O volume corresponde a cerca de 8% da produção total da companhia e consolida a mineração circular como uma nova oportunidade de negócios da empresa, de acordo com a segunda edição do Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade, divulgado nesta segunda-feira (15).
O documento, elaborado de forma voluntária com base nos padrões IFRS S1 e S2 do International Sustainability Standards Board (ISSB), amplia a análise de riscos socioambientais e apresenta, pela primeira vez, o reaproveitamento de resíduos da mineração como uma oportunidade estratégica capaz de gerar valor econômico e reduzir impactos ambientais.
“A segunda edição do relatório alinhado ao ISSB reflete a evolução e a maturidade da agenda de sustentabilidade da Vale. Avançamos na integração entre sustentabilidade e finanças, oferecendo informações cada vez mais consistentes e relevantes para a tomada de decisão de investidores de forma responsável”, afirma Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale.
Resíduos deixam de ser passivo e passam a gerar receita
O relatório aponta uma mudança de abordagem na gestão de rejeitos e estéreis. Tradicionalmente tratados como passivos ambientais, esses materiais passam a ser considerados fontes potenciais de valor econômico por meio do programa Waste to Value, também chamado de Mineração Circular.
Em 2024, cerca de 4% da produção de minério de ferro da Vale teve origem no reaproveitamento desses materiais. Em 2025, o percentual dobrou para 8%, impulsionado principalmente pelo reprocessamento das barragens de Gelado e Vargem Grande e pelo aproveitamento de pilhas de estéril na mina de Capanema, em Minas Gerais.
A meta da companhia é que 10% de toda a produção de minério de ferro venha de fontes circulares até 2030. O principal caso destacado no relatório é a mina de Capanema, em Ouro Preto (MG), reativada em 2025 após permanecer 22 anos sem operação. O projeto recebeu investimentos de R$ 5,2 bilhões e foi concebido a partir do aproveitamento de uma pilha de estéril acumulada ao longo de décadas.
A operação utiliza processamento a umidade natural, sem consumo de água e sem geração de rejeitos, eliminando a necessidade de barragens. A expectativa da Vale é adicionar cerca de 14 milhões de toneladas anuais à sua capacidade produtiva e obter aproximadamente 100 milhões de toneladas de minério de ferro a partir do reaproveitamento de estéril até 2033.
O empreendimento integra o pacote de R$ 67 bilhões em investimentos previstos pela companhia em Minas Gerais até 2030, voltado principalmente para tecnologias de filtragem e empilhamento a seco de rejeitos.
Novos riscos entram no radar
Além das oportunidades associadas à mineração circular, a segunda edição do relatório amplia o mapeamento de riscos corporativos. Enquanto a primeira versão se concentrou nos impactos relacionados às mudanças climáticas, a nova publicação incorpora quatro temas considerados materiais para os negócios da empresa.
Entre eles está o risco de rompimento de barragens, com potencial para causar danos graves a pessoas, patrimônio e meio ambiente. Também passam a integrar a análise os riscos relacionados ao atraso ou à não obtenção de licenças ambientais, conflitos com comunidades e impactos sobre direitos humanos, além de perigos operacionais associados a equipamentos móveis, instalações industriais e infraestruturas críticas.
Segundo a companhia, esses fatores podem afetar diretamente a capacidade de crescimento, a rentabilidade, a reputação corporativa e a chamada licença social para operar.
Segurança de barragens segue como prioridade
O relatório também reforça os avanços da Vale na gestão de barragens de rejeitos. A companhia informa ter implementado em 2025 o padrão internacional Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM) em todas as suas estruturas.
Ao final do ano, nenhuma barragem estava classificada em nível 3 de emergência. Já o programa de descaracterização de barragens a montante alcançou 63% de execução, com 19 das 30 estruturas previstas já concluídas.
A empresa afirma ainda manter uma Política de Gestão de Resíduos Minero-metalúrgicos voltada à redução da geração de rejeitos, ao uso de tecnologias de processamento a seco e ao reaproveitamento de materiais, alinhada aos princípios da economia circular.
Transparência e pioneirismo
A Vale destaca que foi a primeira mineradora do mundo e a primeira empresa brasileira a publicar um relatório seguindo os padrões do ISSB. O documento busca demonstrar os impactos financeiros dos riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade, ampliando a transparência para investidores e demais stakeholders.
Com a nova edição, a companhia reforça a estratégia de integrar desempenho financeiro e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que posiciona o reaproveitamento de rejeitos e estéreis como uma das principais frentes de crescimento da mineração circular nos próximos anos.












