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Por Pedro Henrique Silva
Reter talentos e diminuir a exposição de riscos aos trabalhadores e comunidades são fatores primordiais para o desenvolvimento de todas as etapas da cadeia produtiva da indústria mineral, que tem se reinventado e produzido cada vez mais conhecimento operacional com foco em sustentabilidade. “A tecnologia por si só não é capaz de gerar resultado. A transformação tecnológica vai depender de pessoas. Esse é um setor que a gente precisa ter e reter talentos. O fator humano ainda vai ser muito relevante aqui”, ressaltou Bruno Pimentel, gerente de inovação e desenvolvimento da Samarco.
Os especialistas afirmaram que a segurança sempre foi um pré-requisito fundamental para a mineração, pois contribui para a gestão de riscos críticos e consequentemente na redução de riscos às pessoas, além de aumentar a previsibilidade na operação.
Dalmo Pereira, vice-presidente da Geosol/Geopar, empresa líder em sondagem no Brasil, apontou três pilares que precisam ser trabalhados para melhoria de performance e evolução da mineração. São eles: gente, processos e equipamentos. “A gente tem um mantra que o nosso princípio é o respeito à vida, a gente pratica a segurança aderindo aos nossos equipamentos todo tipo de tecnologia. A gente não consegue evoluir se não chegarmos com uma cara de segurança, dando condição da pessoa trabalhar de uma maneira mais segura e confortável”, afirmou.
“Nós desenvolvemos a primeira sonda de pesquisa mineral 100% elétrica em parceria com a WEG e a Finep. Temos uma sonda geotécnica 100% autônoma em áreas que não devem ter pessoas trabalhando. A inovação tem que ter um cunho, um feito e resultado. A gente busca operação segura com tecnologia, aproveitando o que temos hoje”, disse Pereira. “O que a gente vende é a confiança, um serviço que começa no mapeamento básico e passa pela sondagem. O cliente quer criar valor em cima de dados confiáveis. A gente trabalha com dados confiáveis na nuvem para cobrir essa cadeia. Saímos ainda da sonda mecânica para a sonda hidráulica. Na época, todo mundo falava que éramos loucos”, pontuou.
Já Luis Mascarenhas, diretor de contas globais da Metso, afirmou que a indústria mineral precisa avançar mais sobre a questão dos rejeitos. “A gente testa pouco sobre o que fazer com os rejeitos”, ponderou Mascarenhas. “As tecnologias têm a possibilidade de sensores, câmeras, scanners. Trata-se do monitoramento como uma possibilidade de gerar valor para ganho de produtividade. Nos últimos cinco anos, o nosso centro de controle passou por umas quatro reformulações. A gente começou de forma pequena e hoje a gente está com um centro quatro vezes maior”, detalhou o diretor da Metso.
Durante o painel, as mineradoras foram apontadas por manter certa timidez diante das inúmeras possibilidades tecnológicas disponíveis. “O ser humano em geral tem um pouco de receio da mudança. Contudo, de maneira muito planejada e consciente, temos que perder o medo e termos mais coragem porque a inovação nasce disso. Temos ótimos pesquisadores, universidades e a indústria precisa pegar a tecnologia para ultrapassar o âmbito da universidade e aplicá-la”, disse Mauricio Casara, diretor comercial e de novas tecnologias da U&M. “Tudo que evolui tem que evoluir de maneira segura. Tornar uma operação segura, manter a produtividade e o custo são fundamentais. Nosso negócio demanda muito apoio do cliente, do fabricante, interação com as pessoas e funcionários. Nada existe sem colaboração”, argumentou o diretor da U&M.
Os impactos da nova reforma tributária são temidos pelos executivos e foram pauta do debate entre eles. “Como nós vamos superar e entender [os efeitos da reforma tributária] para que não sejamos atingidos e percamos a representatividade no mercado?”, questionou Pereira. “Temos que falar sobre esse assunto, pois ele nos afeta de uma certa forma. A gente vai competir com outros mercados sedimentados. A alíquota vai ser bem maior”, frisou o vice-presidente da Geosol/Geopar.





