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Por Ricardo Lima
A mina Morro do Ouro, em Paracatu (MG), foi o principal destaque da Kinross Gold no primeiro trimestre de 2026. A unidade contribuiu de forma decisiva para a produção total de 492.563 onças equivalentes de ouro e compensou a queda produtiva em outras minas do portfólio, consolidando-se como o ativo mais relevante da companhia no período.
A produção em Paracatu cresceu tanto na comparação trimestral quanto anual, impulsionada por recuperações recordes obtidas após um programa contínuo de otimização da planta de processamento. A estratégia incluiu melhorias no circuito de recuperação por gravidade dentro da moagem, elevando a eficiência operacional.
Segundo a companhia, o ativo brasileiro foi “o mais forte contribuinte do portfólio”, refletindo ganhos sustentados de produtividade. Apesar disso, o custo de vendas por onça apresentou leve alta, pressionado por royalties maiores, custos com perfuração e pela valorização do real frente ao dólar.
“Entregamos mais um trimestre excelente, com aproximadamente US$ 840 milhões em fluxo de caixa livre, refletindo forte desempenho operacional e disciplina de custos”, afirmou o CEO da Kinross, J. Paul Rollinson.
Produção global recua, mas receita dispara
No consolidado, a Kinross registrou produção de 492.563 onças equivalentes de ouro no trimestre, queda de 4% em relação às 512.088 onças do mesmo período de 2025. A redução foi atribuída ao desempenho inferior de operações como Bald Mountain, Fort Knox, Round Mountain e Tasiast.
Mesmo com menor produção, a receita da companhia avançou 61% na comparação anual, alcançando US$ 2,4 bilhões. O resultado foi impulsionado pela forte valorização do ouro, cujo preço médio realizado atingiu US$ 4.873 por onça, ante US$ 2.857 no primeiro trimestre do ano anterior.
Os custos também subiram. O custo de produção por onça vendida chegou a US$ 1.397, refletindo principalmente o aumento de royalties atrelados ao preço do ouro e ajustes operacionais.
Novos projetos avançam
Além do desempenho operacional, a Kinross reportou avanços em seu pipeline de projetos. Entre os destaques estão o progresso nas iniciativas Great Bear e Lobo-Marte, além de novos empreendimentos nos Estados Unidos, como Round Mountain Phase X, Curlew e Redbird.
A empresa avalia que seu posicionamento de custos e estratégias como hedge de combustível e câmbio têm sido diferenciais em um cenário global de incertezas e preços elevados de commodities.
No balanço geral, mesmo com desafios em parte do portfólio, o desempenho de Paracatu reforça o papel estratégico do Brasil na operação global da mineradora.













