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Pará concentra 19% dos investimentos da mineração previstos para o Brasil até 2030, com US$ 14,7 bilhões

Investimentos no Estado abrangem expansão da produção mineral, projetos de transição energética e melhorias logísticas.

23 de junho de 2026
em Economia
0
Pará concentra 19% dos investimentos da mineração previstos para o Brasil até 2030, com US$ 14,7 bilhões

Projeto envolve expansão da Mina S11D. Foto: Ricardo Telles/Divulgação.

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Por Redação

O Pará deverá atrair US$ 14,66 bilhões (cerca de R$ 73,3 bilhões) em investimentos no setor mineral entre 2026 e 2030, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O volume representa pouco mais de 19% de todos os recursos que a mineração deverá receber no Brasil no período, reforçando a posição do Estado como um dos principais polos minerais do país.

Segundo maior produtor mineral brasileiro, atrás apenas de Minas Gerais, o Pará também lidera indicadores relevantes da atividade. Em 2025, o Estado respondeu por mais de um terço da receita nacional da mineração, gerando R$ 103,1 bilhões dos R$ 298,8 bilhões faturados pelo setor em todo o país.

O desempenho está associado à forte presença de grandes empreendimentos minerais, entre eles a Serra dos Carajás, considerada a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, e à relevância do Estado nas exportações. Nos últimos três anos, o Pará foi responsável, em média, por 36,5% de todo o volume de minérios exportado pelo Brasil. Atualmente, quase metade dos municípios paraenses possui alguma atividade ligada à mineração.

Potência mineral enfrenta desafios na Amazônia

Apesar do potencial econômico, a operação de projetos minerários na Amazônia exige investimentos elevados e planejamento de longo prazo. Entre os principais obstáculos enfrentados pelas empresas estão os gargalos logísticos, a complexidade do licenciamento ambiental e a necessidade de adoção de tecnologias avançadas voltadas à redução de impactos ambientais e à descarbonização das operações.

Nesse contexto, grandes mineradoras instaladas no Estado têm anunciado investimentos significativos em infraestrutura, eficiência energética e sustentabilidade.

MRN investe em energia limpa e prevê R$ 9 bilhões até 2041

A Mineração Rio do Norte (MRN), líder na produção de bauxita, anunciou investimento de R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão para conectar suas operações ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e ampliar o uso de energia limpa.

“Buscamos reduzir em 21% a pegada de carbono a partir de 2027”, afirmou Guido Germani, CEO da companhia.

A MRN é responsável por aproximadamente 30% da produção de alumina e cerca de 20% da produção de alumínio do país. Somente no ano passado, a empresa destinou R$ 51 milhões para projetos socioambientais.

Para assegurar suas operações pelos próximos 15 anos, mantendo uma produção anual de 12,5 milhões de toneladas de bauxita, a companhia projeta investir R$ 9 bilhões até 2041, além dos R$ 1,9 bilhão previstos para 2026. Em 2025, a mineradora desembolsou R$ 810,9 milhões em iniciativas voltadas à segurança operacional, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade, valor 54,7% superior ao registrado em 2024.

“O foco da MRN é manter o patamar atual de produção, apesar de contar com 18 milhões de toneladas de capacidade instalada, o que permite aumentar a atual se houver maior demanda”, acrescentou Germani.

Vale aposta em cobre, níquel e economia circular

A Vale, que possui no Pará um de seus principais polos operacionais, pretende ampliar significativamente sua produção de minerais estratégicos para a transição energética.

A meta da companhia é dobrar a produção de cobre até 2035, alcançando 700 mil toneladas anuais. No caso do níquel, a expectativa é elevar a produção de 175 mil toneladas para mais de 300 mil toneladas por ano no mesmo período.

“Nosso crescimento será focado na vasta dotação mineral de Carajás”, declarou Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de operações da mineradora.

Atualmente, o capex da empresa varia entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, com projeção de atingir US$ 6 bilhões nos próximos anos. Em 2025, a Vale já havia anunciado investimentos de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030 para sustentar a produção de minério de ferro e ampliar a produção de cobre.

Em operação desde 1985, a mina de Carajás produz atualmente cerca de 170 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O destaque é o complexo S11D, localizado em Canaã dos Carajás, cuja capacidade se aproxima de 90 milhões de toneladas anuais.

Na área ambiental, a empresa informou ter intensificado sua estratégia de mineração circular. Em 2025, a produção obtida a partir de rejeitos e resíduos mais do que dobrou, alcançando 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro.

Segundo Medeiros, a iniciativa denominada waste to value transforma subprodutos da mineração em novos materiais, reduzindo a necessidade de barragens e contribuindo para a meta de alcançar 10% da produção proveniente de fontes circulares até 2030.

Alcoa investe em eletrificação e logística em Juruti

A Alcoa também prepara investimentos voltados à redução de emissões e ao fortalecimento da infraestrutura logística de suas operações no Pará, especialmente no município de Juruti, na região oeste do Estado.

Entre as iniciativas em desenvolvimento está a substituição de geradores movidos a diesel por energia elétrica renovável, utilizada nas atividades de extração e beneficiamento de bauxita.

“Isso se dará com a construção de uma linha de transmissão de 51 quilômetros pela Equatorial Energia para integrar a mina e o Porto de Juruti ao Sistema Interligado Nacional”, afirmou Daniel Bueno, diretor de operações da Alcoa em Juruti.

De acordo com o executivo, a medida poderá reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa da operação até 2030.

Na área de transporte, a companhia investe aproximadamente R$ 1 bilhão na formação de uma frota própria composta por quatro navios destinados ao transporte de bauxita entre o porto local e a refinaria da Alumar, no Maranhão.

Atualmente, o escoamento do minério até o Porto de Juruti depende de uma ferrovia de 55 quilômetros.

“A logística é parte fundamental da operação. A produção em Juruti depende da integração entre mina, porto e navegação fluvial”, ressaltou Bueno.

Minerais críticos ampliam relevância do Estado na transição energética

Além da liderança na produção de minério de ferro e bauxita, o Pará desempenha papel estratégico no fornecimento de cobre e níquel, minerais considerados essenciais para tecnologias de energia renovável e para a transição energética global.

No futuro, esse protagonismo poderá ser ampliado pela exploração de terras raras. Especialistas apontam que o Estado reúne condições geológicas favoráveis para a produção desses minerais, utilizados em equipamentos de alta tecnologia, baterias, veículos elétricos e sistemas de geração de energia limpa.

Entretanto, ainda não existe infraestrutura suficiente para a extração, processamento e agregação de valor a elementos como neodímio, praseodímio, cério e lantânio.

As reservas globais de terras raras são estimadas em cerca de 115 milhões de toneladas. Desse total, aproximadamente 44 milhões estão localizadas na China. O Brasil possui entre 21 milhões e 23 milhões de toneladas, o que o coloca na segunda posição mundial em reservas desses minerais estratégicos.

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