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Por Redação
O ouro e a prata encerraram 2025 como alguns dos ativos mais rentáveis do mundo, consolidando seu papel como instrumentos de proteção e diversificação em um ambiente marcado por incertezas econômicas, políticas e geopolíticas.
O desempenho expressivo dos metais foi sustentado por uma combinação de fatores estruturais, como juros mais baixos e aumento da demanda. O ouro acumulou alta de cerca de 66% no ano, enquanto a prata avançou aproximadamente 148%, segundo dados de mercado. Para Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP, o movimento foi resultado de uma convergência rara de fatores.
“A motivação para essa forte alta está relacionada com uma série de fatores que, combinados, impulsionaram as cotações desses metais ao longo de 2025”, afirma. No caso do ouro, ela destaca a queda das taxas de juros nos principais bancos centrais, o aumento das tensões geopolíticas e geoeconômicas, a perda de confiança nos emissores de dívida soberana e a diversificação de reservas por parte dos próprios bancos centrais.
A dinâmica de oferta também contribuiu. “O mercado global do ouro é relativamente pequeno e, quando há um aumento forte da demanda, a oferta não consegue acompanhar, gerando desequilíbrio e alta de preços”, explica a economista, lembrando que o ativo mantém características de proteção patrimonial e elevada liquidez.
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que, mesmo após uma valorização tão expressiva, investidores seguem posicionados. No início de 2026, os preços voltaram a renovar recordes, com o ouro superando US$ 4.600 por onça e a prata alcançando máximas históricas, em meio a novas incertezas sobre a independência do Federal Reserve e ao aumento das tensões geopolíticas globais.
Valorização da prata foi ainda mais intensa
Embora influenciada pelos mesmos fatores do ouro, a prata apresentou vetores adicionais de alta. “A principal motivação extra é o seu uso industrial”, diz Mônica Araújo, citando aplicações em veículos elétricos, baterias e componentes eletrônicos. Segundo ela, o mercado da prata é estruturalmente mais volátil por ser menos líquido e operar com estoques restritos.
Em 2025, entraves regulatórios em países produtores, especulações sobre tarifas de importação nos Estados Unidos, forte entrada de recursos em ETFs e preocupações com possíveis restrições às exportações chinesas ampliaram a percepção de escassez. Relatórios do setor indicam que o déficit de oferta pode se estender até 2026, especialmente diante do crescimento da demanda por investimento.
A forte valorização dos preços também se refletiu no comportamento das empresas do setor. Mineradoras de ouro e prata levantaram mais de US$ 6,2 bilhões em emissões de ações no ano passado, o maior volume em mais de uma década, movimento liderado por companhias de pequeno e médio porte. Já as grandes produtoras, beneficiadas por fluxos de caixa elevados, optaram por recomprar ações, sinalizando confiança na sustentabilidade dos preços.
Apesar do cenário favorável, o alerta permanece. “Após uma alta tão forte é natural que haja alguma realização no curto prazo”, pondera Mônica Araújo. Para ela, a atenção do investidor deve estar voltada à permanência dos fundamentos que sustentaram o rali, especialmente em um início de 2026 marcado por aumento do risco geopolítico global.












