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“Não existe mundo verde sem mineração”, diz CEO da Itaminas em fórum internacional 

Thiago Toscano, diz que transição energética depende da mineração e defende que setor precisa ser reconhecido como parte essencial na agenda de descarbonização

24 de junho de 2026
em Empresas
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“Não existe mundo verde sem mineração”, diz CEO da Itaminas em fórum internacional 

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Por Redação

A mineração deixou de ser tratada apenas sob a ótica de um setor isolado e passou a integrar diretamente a agenda global de transição energética, descarbonização e transformação industrial. Essa foi a avaliação do CEO da Itaminas, Thiago Toscano, durante participação no 3º Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, realizado em Belo Horizonte. 

Segundo o executivo, a própria evolução do evento — originalmente focado no lítio e hoje ampliado para minerais críticos e estratégicos de forma mais abrangente — reflete a centralidade crescente da mineração nas discussões globais sobre desenvolvimento sustentável. 

Toscano destacou uma contradição recorrente no debate público: a demanda crescente por um mundo com baixa emissão de carbono e a resistência da sociedade a atividade mineral. 

“Existe uma contradição onde as pessoas querem um mundo mais verde, mais limpo, mas querem menos mineração. Isso não tem como acontecer”, afirmou. 

Minério de ferro e a base da transição energética 

Ao defender a relevância estratégica do minério de ferro dentro dessa agenda, o CEO da Itaminas ressaltou a conexão direta entre o insumo e a descarbonização da indústria siderúrgica global, especialmente na produção de aço com menor pegada de carbono.  

Ele também chamou atenção para a mudança geográfica das cadeias globais, com a demanda industrial se deslocando para novas rotas e reforçando a necessidade de investimentos em minério de maior teor e qualidade, capaz de atender exigências mais rigorosas de mercados internacionais. 

Nesse contexto, Toscano afirmou que a estratégia da Itaminas envolve um ciclo de investimentos de longo prazo para modernização de suas plantas, aumento de eficiência e adequação do produto às exigências globais.  

O plano inclui diversificação de soluções tecnológicas, com incorporação de inteligência artificial e modernização de processos industriais como parte da estratégia de competitividade, incluindo melhorias logísticas, como a reestruturação ferroviária para reduzir impactos ambientais e ampliar eficiência operacional. 

Do ponto de vista de mercado, o executivo destacou que o minério de ferro de maior qualidade tende a capturar prêmio em segmentos mais exigentes, especialmente em mercados ligados à transição energética. 

Na visão do executivo da Itaminas o Brasil ocupa uma posição relativamente favorável no cenário global da mineração, quando comparado a outras regiões produtoras, especialmente em termos de estabilidade regulatória. 

Ele argumentou que, enquanto países desenvolvidos reduziram significativamente sua capacidade de mineração ao longo das últimas décadas, a produção global migrou para regiões como América Latina, África e Ásia, tornando o Brasil um dos ambientes mais estáveis dentro desse novo arranjo. 

Para Toscano, o futuro do setor passa por integrar mineração, transição energética e aceitação social de forma mais estruturada, com maior transparência e conexão com a vida cotidiana das pessoas. 

“A mineração está dentro dessa agenda, mesmo quando não é percebida”, afirmou. 

Legitimidade no território 

Além da dimensão industrial, Toscano enfatizou a necessidade de redefinir a forma como a mineração se relaciona com os territórios onde atua. Para ele, o debate não deve ser centrado apenas no conceito de “licença social para operar”, mas em um modelo baseado em legitimidade construída junto às comunidades. 

“Mais do que licença para operar, o desafio é construir legitimidade. É fazer com que a comunidade reconheça que a mineração faz parte da construção do território junto com ela”, afirmou. 

Toscano citou iniciativas desenvolvidas pela companhia em parceria com poder público e comunidades locais, que teve processo participativo de planejamento do território, que culminou com uma carteira de projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

“Esse modelo de construção coletiva resultou na estruturação de mais de 300 propostas comunitárias, posteriormente consolidadas em uma carteira de aproximadamente 120 projetos, envolvendo áreas como educação, infraestrutura social, sustentabilidade e inovação urbana, explicou Toscano.  

A Itaminas apresentou esse modelo de desenvolvimento sustentável em parceria com o município de Sarzedo (MG), durante o 10º Fórum Internacional de Parcerias Público-Privadas da UNECE, órgão vinculado à ONU. No evento, realizado na Espanha, a companhia compartilhou sua experiência na construção do Relatório Voluntário Local (RVL), instrumento alinhado aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, utilizado como base para o planejamento de longo prazo do município. 

O modelo reúne projetos urbanos, ambientais e sociais estruturados dentro da metodologia dos ODS, além de um plano diretor estendido que orienta o desenvolvimento da cidade até 2035. As iniciativas são acompanhadas por uma plataforma digital aberta, que permite à população consultar o andamento das ações e propor novas iniciativas. 

A proposta apresentada no fórum é um exemplo de integração entre mineração, poder público e planejamento urbano de longo prazo, reforçando uma abordagem de desenvolvimento territorial baseada em governança compartilhada e transparência. 

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