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Por Redação
A geopolítica dos minerais críticos deixou de ser um tema restrito ao setor mineral e passou a ocupar o centro das estratégias de Estado no cenário internacional. Esse foi o tom do painel sobre riscos geopolíticos realizado durante o Fórum de CEOs da Mineração, organizado pelo escritório Bedran Advogados, que reuniu autoridades brasileiras, representantes de governos estrangeiros e executivos do setor.
A mediação ficou a cargo de Marisa Cesar, diretora Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS e presidente do Conselho da Associação de Minerais Críticos (AMC), que abriu o debate destacando o peso crescente dos minerais críticos nas disputas globais, especialmente entre China e Estados Unidos.
Marisa Cesar lembrou que país já ocupa posição de liderança global em nióbio e se destaca em recursos de terras raras, além de contar com vantagens competitivas como matriz energética majoritariamente renovável.
Nesse contexto, ela reforçou que existe a percepção de que o Brasil pode assumir um papel estratégico nas cadeias globais de minerais críticos, especialmente como fornecedor confiável para o Ocidente.
Mineração virou um ativo estratégico nacional
A secretária Nacional de Mineração do Ministério de Minas e Energia, Ana Paula Bittencourt apresentou uma leitura abrangente da transformação do setor mineral brasileiro, afirmando que a mineração passou, nos últimos anos, de uma atividade econômica para um ativo estratégico nacional.
Segundo ela, a crescente importância dos minerais críticos está diretamente ligada a setores como defesa, tecnologia e economia digital, em um contexto de forte concentração das cadeias produtivas na Ásia e maior controle de exportações por parte da China.
“A mineração hoje está no centro das tensões geopolíticas globais”, avaliou ao defender que o Brasil deve construir uma estratégia própria, baseada na soberania nacional e no interesse público, equilibrando abertura ao investimento com proteção estratégica.
Entre as diretrizes apresentadas pelo Ministério de Minas e Energia, está a busca por um modelo que evite tanto o “nacionalismo exacerbado quanto a abertura irrestrita sem contrapartidas”.
Reino Unido quer cooperação internacional
Representando o Reino Unido, Laura Queiroz destacou que nenhum país será autossuficiente em minerais críticos, se não houver cooperação internacional. Ela lembrou que a parceria entre Brasil e Reino Unido no setor mineral remonta a cerca de dois séculos e afirmou que o país europeu tem apostado em duas frentes: parcerias globais com países como Austrália, Estados Unidos e Canadá e o desenvolvimento interno via economia circular.
“O Reino Unido enxerga realmente que ninguém vai fazer acontecer nesse setor sozinho. A gente precisa dos outros países”. Segundo ela, a estratégia britânica foca na agregação de valor, especialmente no processamento e na tecnologia, mais do que na extração de minerais críticos.
Austrália aposta em tecnologia
A representante da Austrália, Vanessa Voss reforçou que minerais críticos são centrais para a geopolítica global devido à concentração das cadeias produtivas e ao risco de interrupções no fornecimento. Segundo Voss, o país tem direcionado investimentos significativos para financiamento e pesquisa no setor.
Ela explicou ainda que cerca de 75 empresas australianas atuam no Brasil, sendo cerca de 40 no segmento de minerais críticos, com foco não apenas na exploração, mas também na transferência de tecnologia e no desenvolvimento de capacidade de processamento local.
A mensagem convergente no painel foi clara: o avanço do Brasil nas cadeias de minerais críticos dependerá da capacidade de equilibrar soberania, segurança regulatória e integração internacional.
Com a crescente disputa global por minerais críticos, o país se vê diante de uma janela de oportunidade, mas também de riscos geopolíticos que exigem coordenação estratégica e visão de longo prazo.












