Por Redação | Minera Brasil
Os desafios para o desenvolvimento de novos projetos minerais no Brasil já não estão concentrados apenas no licenciamento, na regulação ou nos entraves burocráticos. A relação dos empreendimentos com as comunidades, os territórios e a percepção da sociedade sobre a mineração passaram a ocupar posição central na capacidade das empresas de desenvolver projetos e manter suas operações com estabilidade.
A avaliação é de Guilherme Rodrigues, diretor Técnico da H&P, consultoria socioambiental que participou da Exposibram 2026, em Belo Horizonte, maior evento de mineração da América Latina.
O Minera Brasil visitou o estande da H&P durante o evento e conversou com executivos da consultoria e representantes de empresas mineradoras atendidas pela companhia sobre o peso crescente da dimensão social na estratégia dos empreendimentos minerais.
“Os grandes gargalos do setor mineral hoje no Brasil deixaram de ser só regulatórios ou burocráticos e passaram a ser também socioterritoriais”, afirmou Rodrigues.
Segundo o executivo, a interação dos empreendimentos com seu entorno social, as comunidades tradicionais e a própria percepção pública em relação aos projetos podem produzir efeitos diretos tanto na implantação quanto na continuidade das operações.
É nesse cenário que um conceito já conhecido da indústria mineral ganha uma dimensão cada vez mais estratégica: a licença social para operar.
“A licença social para operar, tão falada e tão debatida no setor mineral, deixou de ser trivial. Ela é central para a normalização e a estabilidade das atividades mineradoras de um empreendimento”, disse Rodrigues.
Sustentabilidade conectada à eficiência do negócio
A Exposibram 2026 marcou o terceiro ano consecutivo de participação da H&P com estande no evento. Para Guilherme Silveira, diretor de Metodologia e Produtos da H&P, a presença contínua na feira reflete a aposta da consultoria no potencial de contribuição da gestão socioambiental para o desenvolvimento do setor mineral.
“Acreditamos muito no que a H&P pode contribuir com soluções para o setor da mineração numa perspectiva mais sustentável, olhando para o futuro e com muito diálogo com o território”, afirmou.
Silveira chama atenção para uma mudança importante nessa agenda: sustentabilidade e relacionamento territorial não devem ser tratados como elementos isolados da estratégia empresarial, mas associados ao próprio desempenho dos projetos.
Segundo ele, trata-se de construir “uma lógica de sustentabilidade e desempenho que se conecta com a operação e com a eficiência dos negócios”.

Estande da H&P na Exposibram recebeu visitantes que tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho da empresa no setor de mineração.
A abordagem ganha relevância diante da expansão da mineração associada à transição energética e à crescente demanda por minerais críticos. Novos projetos precisam avançar simultaneamente nas dimensões técnica, ambiental, regulatória e social, especialmente em regiões onde a mineração passa a dividir o território com comunidades tradicionais e outras atividades econômicas.
Quatro décadas de atuação
A H&P acumula mais de 40 anos de atuação em consultoria socioambiental, apoiando empresas e organizações no desenvolvimento de negócios e territórios e na construção de estratégias voltadas à geração de legado positivo.
Ao longo dessa trajetória, a empresa contabiliza mais de 1.000 projetos executados, mais de 500 clientes atendidos e trabalhos envolvendo mais de 900 municípios brasileiros, além de atuação recente em 26 estados.
Com equipe formada por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, a consultoria mantém um portfólio de soluções direcionado a setores como mineração, agronegócio, óleo e gás, energias renováveis, saneamento e infraestrutura, incluindo concessões rodoviárias e ferroviárias.
No setor mineral, parte dessa atuação está justamente na identificação antecipada dos riscos sociais associados aos empreendimentos.

James Charles Coats, Senior Partner na Wise Decisio / H&P foi um dos painelistas da Exposibram. Ele falou sobre parcerias para o desenvolvimento territorial sustentável nos municípios mineradores.
“Nós, com mais de 40 anos de história, temos apoiado os empreendimentos justamente a identificar os riscos sociais, apoiar na mitigação desses riscos e na produção dos melhores resultados possíveis, por meio de um amplo conjunto de soluções e de um portfólio bastante variado”, explicou Rodrigues.
Lithium Ionic relata experiência no Vale do Jequitinhonha
Um dos exemplos dessa atuação está no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região que se consolidou como uma das principais fronteiras da mineração de lítio no Brasil.
A H&P trabalha com a Lithium Ionic, empresa que desenvolve o Projeto Bandeira, empreendimento de lítio localizado na região de Itinga e Araçuaí.
André Vasconcelos, gerente de Relações Comunitárias da Lithium Ionic, destacou o trabalho desenvolvido em parceria com a consultoria em uma comunidade quilombola no entorno do empreendimento.

Lithium Ionic apresentou parceria com a H&P no relacionamento com comunidades tradicionais no Vale do Jequitinhonha.
“Estamos em processo de Consulta Livre, Prévia e Informada que estamos conduzindo junto com a H&P. Eles têm atuado de maneira muito competente e nos ajudado bastante”, afirmou.
Segundo Vasconcelos, a participação da H&P tem sido importante na condução do relacionamento com as comunidades envolvidas no processo.
“Contamos muito com a H&P e acredito que o nosso trabalho vai ser um sucesso. Grande parcela disso é responsabilidade da H&P”, acrescentou.
O caso ilustra uma questão que vem ganhando espaço nas discussões do setor: a gestão social começa antes da operação da mina. A capacidade de compreender o território, estabelecer canais de diálogo e identificar antecipadamente riscos sociais passa a integrar o planejamento dos projetos desde suas etapas de desenvolvimento.

Executivos da H&P destacam o portifólio da consultoria para atender o setor mineral brasileiro durante a Exposibram
Risco social também é risco para o negócio
Para a H&P, essa integração tende a ser cada vez mais relevante para a mineração brasileira. A gestão dos riscos socioterritoriais deixa de ser apenas uma agenda de relacionamento comunitário e passa a ter conexão direta com previsibilidade, continuidade operacional e desempenho dos empreendimentos.
“Acreditamos bastante que o caminho seja justamente esse: identificar e gerenciar os riscos sociais”, afirmou Guilherme Rodrigues.
Na avaliação do diretor Técnico da H&P, o resultado dessa estratégia aparece tanto na relação construída entre empresa e território quanto na capacidade de manter o empreendimento operando dentro das condições planejadas.
“Isso é garantia de melhores resultados de licença social para operar e, ao mesmo tempo, de maior estabilidade, maior regularidade no atendimento aos padrões e às necessidades do empreendimento”, concluiu.











