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Bacias sedimentares ganham protagonismo na busca por hidrogênio natural e metais críticos

Especialista defende integração entre mineração, petróleo e energia de baixo carbono para explorar novos recursos em bacias brasileiras

1 de junho de 2026
em Simexmin 2026
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Bacias sedimentares ganham protagonismo na busca por hidrogênio natural e metais críticos

Diferencial do hidrogênio natural em relação ao hidrogênio industrial está no fato de que o primeiro não necessita de processos industriais, explica o geólogo.

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Por Redação

As bacias sedimentares, historicamente associadas à exploração de petróleo e gás, podem assumir um novo papel estratégico na transição energética global. A avaliação foi apresentada pelo geólogo e consultor Humberto Reis, da HsR Consulting, durante palestra no SIMEXMIN 2026, ao discutir o potencial dessas estruturas geológicas para concentrar hidrogênio natural, hélio e metais críticos.

O pesquisador argumentou que a compreensão integrada dos sistemas geológicos pode abrir novas oportunidades econômicas e reduzir riscos exploratórios ao combinar diferentes recursos em uma mesma área.

Segundo ele, o hidrogênio natural deixou de ser apenas um tema científico e passou a ocupar espaço crescente nas estratégias globais de energia de baixo carbono.

“Nas últimas décadas, o hidrogênio natural passou de um assunto científico para uma realidade econômica”, afirmou.

Hidrogênio natural avança como alternativa de baixo carbono

Durante a apresentação, Reis explicou que, por muitos anos, acreditava-se que o hidrogênio não poderia ser preservado em grandes volumes no subsolo devido às características químicas da molécula, considerada pequena e altamente reativa. Estudos recentes, porém, mudaram esse entendimento.

O pesquisador citou o caso de Mali, na África, onde uma descoberta acidental revelou um reservatório de hidrogênio natural atualmente utilizado para abastecer uma pequena planta de geração elétrica.

“Hoje já conhecemos ocorrências anômalas de hidrogênio natural em praticamente todos os continentes”, destacou.

Segundo o especialista, o principal diferencial do hidrogênio natural em relação ao hidrogênio industrial está no fato de que ele já se encontra pronto na natureza, sem necessidade de processos industriais para sua produção.

“Ele já vem sem o carbono associado. Isso significa que extraí-lo é mais barato e sua pegada de carbono é menor”, explicou.

De acordo com Reis, algumas estimativas indicam que o impacto de carbono do hidrogênio natural pode ser até oito vezes menor que o do hidrogênio verde produzido a partir da eletrólise da água.

Processos geológicos explicam formação do recurso

A palestra também abordou os mecanismos geológicos responsáveis pela formação do hidrogênio natural. Entre eles, Reis destacou a serpentinização — processo de hidratação de rochas ultramáficas —, a maturação térmica de rochas ricas em matéria orgânica e a radiólise natural causada pelo decaimento radioativo do urânio.

Segundo ele, esses processos podem gerar hidrogênio em profundidade e permitir sua migração por zonas permeáveis até reservatórios semelhantes aos encontrados em sistemas petrolíferos.

“Eventualmente esse hidrogênio pode se acumular em reservatórios parecidos com os reservatórios de gás e petróleo”, afirmou.

O pesquisador também chamou atenção para a associação frequente entre hidrogênio natural e hélio, elemento considerado estratégico para setores industriais e tecnológicos.

Bacias sedimentares concentram diferentes recursos

Ao longo da exposição, Reis defendeu que muitos dos elementos geológicos necessários para formar sistemas petrolíferos também favorecem a ocorrência de depósitos minerais e acumulações de hidrogênio natural.

Segundo ele, as chamadas bacias intracratônicas — grandes bacias sedimentares instaladas em áreas antigas da crosta continental — funcionam como “caixas-pretas” da evolução geológica terrestre por acumularem registros de bilhões de anos.

Esses ambientes, explicou, reúnem rochas geradoras, reservatórios, armadilhas estruturais e circulação de fluidos capazes de concentrar diferentes recursos simultaneamente.

“Os mesmos elementos que funcionam como fontes para cobre também podem funcionar como fontes para hidrogênio”, afirmou.

O especialista apresentou exemplos brasileiros em bacias como São Francisco, Parnaíba, Parecis e Tucano, destacando que várias delas já possuem histórico de hidrocarbonetos, ocorrências minerais e indícios de hidrogênio natural.

Integração entre mineração e energia pode reduzir riscos

Outro ponto enfatizado na palestra foi a possibilidade de integrar estratégias de exploração mineral e energética em um mesmo projeto.

Segundo Reis, empresas podem combinar a busca por metais críticos, hidrocarbonetos, hidrogênio natural e hélio utilizando bases de dados e modelos geológicos semelhantes.

“Isso não significa começar do zero. O conceito geológico envolvido aqui é similar e comum a todos esses sistemas”, disse.

Para o pesquisador, essa abordagem pode reduzir custos, diversificar ativos e diminuir riscos econômicos em projetos exploratórios.

Incentivos legais impulsionam setor no Brasil

O especialista também destacou avanços regulatórios recentes relacionados ao hidrogênio de baixo carbono no Brasil. Segundo ele, a inclusão do hidrogênio natural na legislação brasileira do setor cria condições favoráveis para novos investimentos.

Entre os mecanismos previstos estão incentivos fiscais e créditos voltados à redução dos custos operacionais e de implantação de projetos.

“Isso também é uma boa notícia para quem decidir integrar essa exploração”, concluiu.

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