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Por Redação
A evolução geológica e o potencial econômico dos depósitos de zinco, chumbo, cobre e prata associados ao Grupo Nova Brasilândia, em Rondônia, foram tema de apresentação durante o Simexmin 2026. O estudo, conduzido pelo geólogo Luiz Henrique Lisboa, reúne resultados de mais de 20 anos de pesquisa mineral na região e propõe novos modelos exploratórios para mineralizações hospedadas em sequências psamo-pelíticas metamorfizadas.
Durante a palestra, o pesquisador apresentou a trajetória da Mineração Santa Elina desde os primeiros trabalhos exploratórios voltados ao ouro, ainda na década de 1990, até a consolidação dos depósitos polimetálicos de Pedra Queimada e Dioneia, que deram origem às primeiras minas de zinco de Rondônia.
“Depois de duas décadas de exploração, consolidamos diversas informações geológicas que permitiram construir critérios e modelos exploratórios mais efetivos para novas descobertas”, afirmou Lisboa.
Descobertas começaram após exploração para ouro
Segundo o pesquisador, a empresa iniciou atividades na região em 1993 com foco em depósitos auríferos. Apenas em 2007 foram identificadas as primeiras ocorrências significativas de sulfetos maciços contendo zinco, chumbo e prata. A descoberta marcou uma mudança no perfil da exploração mineral em Rondônia.
“Foi um marco para a exploração no estado, que ainda não tinha tradição em depósitos desse tipo”, destacou.
Após a interrupção provocada pela crise financeira internacional de 2008, os trabalhos foram retomados em 2010 com campanhas de sondagem e definição de recursos minerais. Em 2019 entrou em operação a mina de zinco de Dioneia, gerando cerca de 220 empregos diretos. Já a mina de Pedra Queimada deve iniciar operações no final de 2026, com expectativa de gerar aproximadamente 400 empregos.
Os depósitos estão localizados a cerca de 500 quilômetros de Porto Velho, na porção sul de Rondônia, inseridos na Província Sunsás, na borda sudoeste do Cráton Amazônico.
Sequência sedimentar abriga mineralizações de alto teor
De acordo com Lisboa, os depósitos estão hospedados em rochas metassedimentares do Grupo Nova Brasilândia, unidade geológica definida pela CPRM na década de 1990. As mineralizações ocorrem especialmente em sequências mais psamíticas e pelíticas, sem associação significativa com rochas vulcânicas.
O estudo detalhou características petrográficas, geoquímicas e estruturais das ocorrências, incluindo zonas de alteração hidrotermal ricas em granada, biotita e magnetita, além de níveis de sulfetos maciços compostos principalmente por esfalerita, pirrotita, pirita e galena.
Entre os resultados apresentados, chamaram atenção os elevados teores registrados nas sondagens. No depósito Dioneia, foram interceptados intervalos com até 30 metros contendo 14% de zinco e 3% de chumbo. Em determinados níveis maciços, os teores chegaram a 38% de zinco.
“É um depósito pequeno, mas extremamente atrativo pelos teores encontrados”, afirmou o pesquisador.
No depósito Pedra Queimada, considerado mais robusto, a mineralização se estende por aproximadamente 1,2 quilômetro. Lisboa relatou interceptações de até 115 metros com teores próximos de 8% de zinco.
“Foi inacreditável presenciar isso durante as sondagens”, comentou.
Estudos ajudaram a definir novo modelo exploratório
A apresentação também abordou o trabalho de caracterização geológica realizado entre 2022 e 2023, que buscou classificar os depósitos dentro dos principais modelos metalogenéticos conhecidos para mineralizações de zinco.
Segundo Lisboa, análises envolvendo geologia regional, química mineral e microssonda eletrônica indicaram características compatíveis com depósitos sedimentares exalativos metamorfizados, conhecidos como Sedex.
“Esses depósitos possuem características típicas de Sedex, mas apresentam uma assinatura própria, diferente dos modelos clássicos”, explicou.
Os pesquisadores identificaram ainda importantes indicadores minerais associados à proximidade do minério, especialmente alterações na composição de granadas e estaurolitas ricas em manganês, que podem auxiliar futuras campanhas exploratórias.
Minas ampliam produção mineral em Rondônia
Atualmente, o depósito Dioneia possui recursos estimados em 2,4 milhões de toneladas com teor médio de 23% de zinco. A mina já está em operação e possui vida útil estimada em oito anos.
Já Pedra Queimada apresenta recursos mais expressivos, totalizando cerca de 14 milhões de toneladas com teor médio de 8,2% de zinco. O projeto encontra-se em fase de implantação.
Ao final da apresentação, Lisboa agradeceu às equipes técnicas e aos pesquisadores envolvidos no estudo, com menção especial ao geólogo Marcos Faro, homenageado em memória.













