Por Ricardo Lima
A mineração brasileira tem potencial para dobrar sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo Rafael Bittar, vice-presidente executivo técnico da Vale. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (20), durante a terceira edição do Invest Mining Summit 2026. Para o executivo, o avanço depende de aproveitar as reservas minerais do país, ampliar a produção e superar entraves ao desenvolvimento de novos projetos.
Segundo Bittar, a transição energética, a descarbonização e a expansão dos centros de dados impulsionam a demanda global por recursos minerais, enquanto as disputas geopolíticas ampliam a importância estratégica do setor. “Nunca se falou tanto em mineração como se tem falado nos últimos anos. Isso é muito importante e mostra a oportunidade que nós temos”, afirmou.
Demanda global amplia potencial brasileiro
De acordo com o executivo, a mineração representa entre 2% e 2,5% do PIB brasileiro, considerando a contribuição direta do setor, e responde por cerca de 50% do saldo da balança comercial, conforme os números apresentados durante o evento. Para ele, a comparação com países como Chile, Austrália e Peru evidencia espaço para ampliar a participação da atividade na economia nacional.
“A gente poderia estar dobrando a contribuição da mineração para o PIB, aumentando o número de empregos, a arrecadação, aproveitando depósitos que a gente tem e colocando eles de pé”, disse.
Bittar alertou para o risco de escassez de minerais diante do crescimento da demanda e do longo prazo necessário para desenvolver novos empreendimentos. Segundo ele, serão necessárias 67 novas minas de lítio nos próximos dez anos para atender à procura pelo metal. O executivo ressaltou ainda o potencial brasileiro em cobre, terras raras, grafita e minério de ferro e defendeu uma estratégia que contemple o conjunto da indústria mineral, e não apenas os minerais considerados críticos.
Para viabilizar essa expansão, Bittar destacou a importância de ampliar a produção, especialmente de cobre e minério de ferro, e colocar em operação depósitos já identificados. O desenvolvimento de etapas industriais para minerais críticos também pode agregar valor à economia, mas exige investimentos e planejamento de longo prazo.
Entre os obstáculos à expansão da atividade, Bittar destacou a demora e a imprevisibilidade dos processos de licenciamento ambiental, as lacunas no conhecimento geológico e as limitações de infraestrutura, especialmente para projetos de grande escala. Ele defendeu procedimentos mais ágeis, sem eliminar as exigências ambientais, e maior segurança jurídica para viabilizar investimentos de longo prazo.
“Não é passar a etapa de licenciamento, não é deixar de fazer o que tem que ser feito, mas fazer com mais previsibilidade”, afirmou. O executivo também defendeu que o Conselho Estratégico de Minerais Críticos tenha atuação voltada ao fomento da indústria, evitando decisões que aumentem os riscos para os investidores.
Reputação do setor é desafio estratégico
Bittar apontou a percepção negativa da sociedade sobre a mineração como outro obstáculo ao desenvolvimento do setor. Para ele, demonstrar os avanços tecnológicos, a segurança operacional e os benefícios econômicos e sociais da atividade é fundamental para ampliar a aceitação dos empreendimentos pelas comunidades.
Como parte dessa transformação, o executivo destacou iniciativas da Vale em automação, inteligência artificial, reaproveitamento de rejeitos e descarbonização das operações. Segundo ele, a estratégia da companhia inclui desenvolver minas com tecnologias integradas desde a concepção, reduzir impactos ambientais e ampliar a geração de valor compartilhado. “O potencial está aí, não há dúvida. Talvez, o nosso grande desafio seja recuperar a nossa reputação”, concluiu.














