Por Redação
A sustentabilidade deixou de ser vista apenas como uma obrigação associada ao desenvolvimento de projetos minerais e passou a integrar a própria equação de risco e investimento das companhias. A avaliação é de Vítor Sandim, gerente de Relações Institucionais e Comunidades da PLS Brasil, que defendeu maior investimento das mineradoras em diálogo, escuta das comunidades e letramento minerário.
Durante o painel “Sustentabilidade da Cadeia de Minerais Críticos”, na Agenda 2030, promovida pela Associação de Minerais Críticos (AMC), em São Paulo, Sandim apresentou a experiência desenvolvida no Projeto Colina, empreendimento de lítio da PLS em Salinas, no Norte de Minas Gerais.
Segundo ele, uma das iniciativas adotadas pela companhia foi a criação do Projeto de Letramento Minerário e Ambiental, desenvolvido para explicar às comunidades aspectos da mineração desde a fase de pesquisa até a operação, além dos instrumentos relacionados à gestão ambiental do empreendimento.
A proposta, explicou, é traduzir para uma linguagem acessível conceitos e termos técnicos normalmente utilizados apenas por profissionais do setor.
“Jargão do setor que só o setor entende. Então, trazer isso de forma didática para o território, numa linguagem que eles entendam, você começa a escutar e quebrar paradigmas”, afirmou.
Para Sandim, o relacionamento com as comunidades precisa fazer parte da estratégia das empresas desde as fases iniciais dos projetos e não ser tratado exclusivamente como obrigação decorrente do licenciamento ambiental.
“Isso também exige das companhias uma coordenação, de entender que não é custo, mas sim investimento”, afirmou.
O executivo destacou a importância da escuta ativa para identificar os receios e as principais necessidades das comunidades localizadas no entorno dos empreendimentos. A partir desse processo, segundo ele, foi estruturado o Plano de Desenvolvimento Socioambiental da PLS, que contempla investimentos realizados pela companhia além das condicionantes do empreendimento. A estratégia busca construir um legado socioambiental a partir das demandas apresentadas pelo próprio território.
Mas, na avaliação de Sandim, sustentabilidade não se limita ao relacionamento comunitário. Ela também envolve criar condições para que os empreendimentos tenham previsibilidade, resiliência e capacidade de geração de valor no longo prazo.
Nesse contexto, um dos desafios é fazer com que os avanços trazidos pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental sejam efetivamente incorporados pelos estados, considerando que grande parte dos projetos minerais é licenciada pelas unidades federativas, conforme características como porte e localização.
A questão também se relaciona à Política Nacional de Minerais Críticos. A possibilidade de priorização de projetos considerados estratégicos, por exemplo, precisa encontrar aplicação prática nos processos estaduais de licenciamento. Essa integração pode contribuir para aumentar a previsibilidade jurídica, financeira e de cronograma dos investimentos, além de auxiliar empresas, comunidades e poder público na gestão das expectativas relacionadas ao desenvolvimento dos projetos e dos territórios.
Outra dimensão é a resiliência operacional. A busca por fontes alternativas de suprimento hídrico, por exemplo, pode melhorar os indicadores de sustentabilidade de um projeto e, simultaneamente, aumentar sua segurança diante de períodos de escassez de água ou de eventos associados às mudanças climáticas.
A sustentabilidade também pode se traduzir em investimentos capazes de deixar um legado duradouro para os territórios. Isso inclui iniciativas culturais, educacionais e de desenvolvimento local, além da busca, quando houver viabilidade técnica, por formas de reaproveitamento socioeconômico e ambiental de materiais estéreis, inclusive em aplicações relacionadas à infraestrutura pública.
A lógica é identificar oportunidades para transformar investimentos ambientais associados aos empreendimentos em benefícios sociais e econômicos que permaneçam nos territórios.
Para Sandim, entretanto, essas iniciativas precisam produzir resultados concretos. A sustentabilidade não pode se restringir à comunicação das empresas: os compromissos apresentados à sociedade precisam estar respaldados por investimentos, ações efetivamente implementadas e resultados que possam ser mensurados. Essa correspondência entre discurso e prática aumenta a credibilidade do projeto e transforma sustentabilidade em geração de valor para a companhia, para os investidores e para o território.
Projeto Colina já possui licença de instalação
Sandim afirmou que o Projeto Colina já possui licença de instalação e passa atualmente por uma revisão após a mudança de controle para a PLS. O empreendimento foi originalmente desenvolvido pela australiana Latin Resources e passou para a PLS após a aquisição da companhia.
Segundo o executivo, o trabalho de escuta e relacionamento com as comunidades desenvolvido desde as etapas anteriores do empreendimento também teve importância na avaliação do ativo pela PLS.

Sandim relacionou diretamente esse investimento socioambiental à decisão da companhia de adquirir o Projeto Colina.
Diálogo reduz risco e aumenta segurança para investidores
A relação entre sustentabilidade, segurança dos projetos e atração de investimentos conduziu a fala de Sandim.
Segundo ele, explicar como funciona o empreendimento, manter presença permanente no território e estabelecer diálogo contínuo com a população ajudam a reduzir inseguranças e a desmistificar percepções negativas sobre a atividade mineral.
“Quando você escuta e explica como é o seu processo, desmistifica todo um cenário que foi construído, mostra o quão seguras são as ferramentas que se têm dentro do direito ambiental, um diálogo constante, você tem presença na comunidade, isso gera uma segurança muito grande”, afirmou.
Para Sandim, essa segurança alcança todas as partes envolvidas no desenvolvimento do empreendimento.
“Segurança para a comunidade, segurança para todas as fases do seu projeto de mineração e, principalmente, segurança para o investidor, porque você começa a criar bons índices de sustentabilidade e isso atrai o investidor”, disse.
Nessa perspectiva, sustentabilidade deixa de representar apenas o cumprimento de compromissos socioambientais. Passa a integrar uma estratégia mais ampla de gestão de riscos, previsibilidade, resiliência e proteção do investimento, ao mesmo tempo em que busca gerar benefícios concretos para os territórios onde os projetos são desenvolvidos.
Agenda 2030 da AMC
O painel “Sustentabilidade da Cadeia de Minerais Críticos” integrou a programação Minerais Críticos – Agenda 2030, promovida pela Associação de Minerais Críticos (AMC), em São Paulo.
O encontro reuniu representantes de empresas, governo, instituições de pesquisa, entidades setoriais e mercado para discutir os desafios para o desenvolvimento das cadeias brasileiras de minerais críticos, passando por financiamento, industrialização, regulação, sustentabilidade, tecnologia e relacionamento com os territórios.













