Por Ricardo Lima
A necessidade de aproximar projetos de mineração das fontes de financiamento e transformar o potencial geológico brasileiro em novos investimentos marcou a abertura do Invest Mining Summit 2026, realizada nesta terça-feira (20), na Faria Lima, em São Paulo. Em sua terceira edição, o evento reuniu representantes do setor mineral, instituições financeiras, investidores e governo para discutir mecanismos de financiamento, minerais críticos e competitividade.
O coordenador da Rede Invest Mining, Miguel Nery, destacou que a transição energética e a expansão das tecnologias digitais ampliam as oportunidades para o Brasil, mas exigem condições para viabilizar novos empreendimentos. “Potencial geológico precisa ser transformado em projetos, e projetos precisam encontrar capital”, afirmou. A rede, criada em 2021, busca conectar empresas, entidades setoriais, instituições públicas e investidores para ampliar o financiamento da mineração brasileira.
Segurança jurídica no centro da agenda
Presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Luiz Azevedo ressaltou a importância da pesquisa mineral para diversificar a produção e consolidar o país como destino de investimentos. Segundo ele, o setor faturou R$150 bilhões no primeiro semestre, alta de 8,2%, enquanto cobre e ouro registraram crescimentos de 44% e 41%, respectivamente. Azevedo ponderou, porém, que os resultados refletem principalmente a valorização dos preços, e não o aumento da produção.
O executivo também chamou atenção para a regulamentação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, instituída pela Lei nº 15.506. “O Brasil tem geologia, tem capital chegando e tem a demanda global a seu favor. O que precisamos agora é de regras estáveis”, afirmou. Para ele, previsibilidade regulatória, licenciamento e acesso a capital de risco são fundamentais para converter oportunidades em projetos efetivos.

ABPM destaca que a previsibilidade regulatória, licenciamento e o acesso a capital são fundamentais para converter oportunidades em projetos de mineração.
Integração institucional e competitividade
Para Mário Caramori, presidente do Conselho Superior da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), o crescimento da demanda internacional por minerais críticos, impulsionado pela transição energética e pela transformação digital, coloca o Brasil em posição favorável. Ele defendeu a articulação entre governos, empresas, investidores, universidades e entidades representativas para fortalecer a competitividade e atrair recursos. “Transformar esse potencial em realidade vai exigir mais que recursos geológicos. Exige diálogo, coordenação, visão estratégica e construção coletiva de soluções”, disse.
O diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Julio Nery, destacou que o acesso ao financiamento continua sendo um dos principais desafios do setor. Ele também defendeu aproveitar o atual ambiente de valorização da mineração para avançar na aceitação dos empreendimentos pelas comunidades. “A mineração tem que aproveitar esse momento onde, além da demanda, nós temos um ambiente bastante favorável”, afirmou, ressaltando a importância da licença social para operar.

Potencial geológico precisa ser transformado em projetos, e projetos precisam encontrar capital, afirmou Miguel Nery, coordenador da Rede Invest Mining
Governo aponta mineração como eixo estratégico
Representando o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chefe de gabinete Pedro Guerra afirmou que a estratégia de financiamento mineral deve combinar capital privado nacional, recursos públicos e investimentos estrangeiros. Segundo ele, a mineração integra as prioridades da política industrial brasileira, mas o avanço do setor também depende da redução de entraves regulatórios e de custos estruturais.
Guerra defendeu que a regulamentação da política de minerais críticos seja construída em diálogo com empresas, especialistas e instituições representativas, com atenção à segurança das comunidades e ao interesse nacional. “Nós estamos tentando construir tudo em profundo diálogo com a comunidade empresarial, com a comunidade acadêmica e com as instituições que representam os interesses e as posições do setor”, declarou.
Ao longo da programação, o Summit prevê discussões sobre financiamento público e privado, mercado de capitais, pesquisa mineral, estruturação de projetos e estratégias de investimento. A proposta é aproximar as demandas das empresas dos critérios e instrumentos dos financiadores, contribuindo para que novos projetos avancem da exploração à operação e ampliem a participação brasileira nas cadeias globais de minerais estratégicos.












