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Por Ricardo Lima
Segundo estudo realizado pela PwC Brasil, o país detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas responde por apenas 1% da produção global, evidenciando o desafio de transformar abundância mineral em protagonismo industrial e econômico.
O trabalho “Brasil na Era dos Minerais Críticos: Potencial, Desafios e Rotas para o Protagonismo” aponta que o Brasil ainda se concentra majoritariamente nas etapas de menor valor agregado da cadeia mineral. As fases de refino, transformação química e manufatura avançada seguem pouco desenvolvidas, o que limita o retorno econômico e estratégico.
A transição energética e a corrida por segurança no suprimento de insumos estratégicos impulsionam uma demanda sem precedentes por minerais como lítio, níquel, grafita, cobalto e terras raras. Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda por lítio pode crescer até 42 vezes até 2040, enquanto grafita, níquel e cobalto devem registrar aumentos entre 20 e 25 vezes.
Nesse contexto, o Brasil desponta como fornecedor estratégico, com reservas expressivas de níquel, manganês, nióbio, grafita e lítio, além de contar com uma matriz energética majoritariamente renovável, fator-chave para a produção sustentável desses insumos.
De acordo com a PwC Brasil, a realização da COP 30 em Belém, em 2025, representou uma oportunidade histórica para o país consolidar sua imagem como fornecedor confiável e sustentável de minerais críticos, em um momento de reorganização das cadeias globais.
“O país tem todas as condições para se posicionar como líder global na nova economia verde, desde que avance em infraestrutura, tecnologia e regulação. A oportunidade é transformar o papel de exportador de commodities em referência em inovação e sustentabilidade”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil.
Desafios estruturais limitam captura de valor
A diferença de valor é expressiva: enquanto uma tonelada de espodumênio (lítio bruto) é exportada por cerca de US$ 800, o hidróxido de lítio grau bateria pode superar US$ 8.000 por tonelada no mercado internacional.
Entre os principais entraves estão a escassez de plantas de refino, a burocracia regulatória e a ausência de uma política industrial estruturada para o setor. Em contrapartida, o país apresenta vantagens competitivas como estabilidade institucional relativa, base mineral diversificada e experiência em setores eletrointensivos.
Investimentos e busca do protagonismo
Apesar dos desafios, o setor mineral brasileiro está em rota de crescimento. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima R$ 100 bilhões em investimentos entre 2025 e 2029, com projetos que já quadruplicaram a produção em regiões como Minas Gerais e ampliaram a capacidade produtiva em diferentes cadeias.
O aquecimento também se reflete no mercado de fusões e aquisições. Segundo a PwC Brasil, as transações no setor de mineração no país cresceram, em média, 26% ao ano entre 2021 e 2024, impulsionadas pelo interesse global em minerais estratégicos.
Para converter potencial geológico em liderança global, o relatório da PwC Brasil recomenda a criação de etapas industriais de maior valor agregado, como a manufatura, a ampliação de linhas de financiamento específicas por meio de instituições como BNDES e Finep, além de uma regulação estável e de parcerias internacionais com países como Estados Unidos, Alemanha e Japão.
Segundo o estudo, avançar nessas frentes é fundamental para que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matérias-primas e passe a ocupar posição central na nova economia verde.












