Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Ricardo Lima
A disputa global por minerais críticos colocou a mineração no centro da agenda geopolítica e levou governos a ampliar o apoio à indústria, afirmou nesta segunda-feira (24) Rohitesh Dhawan, presidente e CEO do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), durante a Exposibram 2026. Segundo ele, países como Estados Unidos e China passaram a tratar o setor como estratégico, enquanto governos também adotam medidas de nacionalismo de recursos e buscam aumentar o processamento doméstico de minérios.
Dhawan citou como exemplo o anúncio, na semana passada, de US$ 2,5 bilhões em apoio à manutenção de uma fundição na Austrália, medida que, segundo ele, seria “impensável apenas alguns anos atrás”. Ele também mencionou a revisão, pelo Canadá, de uma operação envolvendo uma empresa na Argentina por possíveis impactos sobre a segurança do abastecimento de metais e o aumento da participação de fundos soberanos do Oriente Médio no setor. “A indústria de mineração está agora firmemente no topo da agenda geopolítica”, afirmou.
Para dimensionar o risco associado à concentração da oferta, Dhawan destacou a cadeia de minerais necessários para a produção de ímãs utilizados em motores e ressaltou a dependência global da China no processamento de terras raras — área na qual o Brasil possui reservas relevantes. De acordo com o executivo, uma perda de 30% no fornecimento de ímãs aos Estados Unidos poderia provocar um impacto de US$ 600 bilhões, equivalente a 2,2% do PIB americano. “Nunca tivemos esse nível de poder e impacto assimétrico ligado a uma única commodity produzida pela nossa indústria”, disse.
O novo cenário também, segundo Dhawan, vem acelerando a abertura de minas e a adoção de políticas para reduzir a dependência externa. Ele citou as Filipinas, que pretendem reduzir de nove anos para nove meses o prazo histórico para emissão de licenças de mineração. O executivo, porém, defendeu que a aceleração não ocorra às custas de padrões ambientais e sociais. “Vamos garantir que não sacrifiquemos os altos padrões de desempenho social e ambiental que devemos esperar de todos os mineradores, em todos os lugares”, afirmou.
Dhawan também apontou uma revalorização financeira do setor: segundo ele, a capitalização de mercado global das empresas de mineração quase dobrou nos últimos 18 meses. Para o executivo, a janela atual deve ser usada para ampliar a oferta de minerais, fortalecer parcerias com consumidores e governos, aumentar a segurança das operações e combater a mineração ilegal. Ao mesmo tempo, defendeu maior participação das comunidades e povos indígenas nas decisões e nos benefícios dos projetos, além de investimentos antecipados para o fechamento das minas.
Ao encerrar, Dhawan comparou o atual momento da mineração aos “sete anos de prosperidade” da narrativa bíblica de José, período em que seria necessário acumular reservas para enfrentar tempos futuros de escassez. “O que fizermos com este momento definirá o legado desta indústria por gerações”, afirmou. Para ele, o atual ciclo favorável à mineração deve ser aproveitado para construir uma indústria capaz de abastecer o mundo com os minerais necessários “de uma forma da qual todos possamos nos orgulhar”.
Organizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a EXPOSIBRAM 2026 acontece de 24 a 27 de agosto na Expominas, em Belo Horizonte (MG), e consolida-se como a maior edição da história do evento, marcando os 50 anos do IBRAM. Reunindo mais de 750 expositores e lideranças globais, o encontro integra feira de negócios, congresso internacional e rodadas comerciais para debater minerais críticos, transição energética, inovação e sustentabilidade, impulsionando o desenvolvimento responsável e competitivo da indústria mineral brasileira.





