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Por Ricardo Lima
A Aclara Resources anunciou uma parceria com o Argonne National Laboratory, um dos principais centros de pesquisa do Departamento de Energia dos Estados Unidos, para desenvolver um gêmeo digital com inteligência artificial voltado ao refino de terras raras pesadas. A iniciativa tem impacto direto sobre os planos da empresa no Brasil, onde o Projeto Carina, em Goiás, é considerado um dos principais ativos da companhia.
A tecnologia permitirá simular, otimizar e prever o desempenho do processo de separação química, reduzindo riscos na transição do piloto para a escala industrial e acelerando a entrada em operação de novas plantas.
Segundo Hugh Broadhurst, diretor de operações da Aclara, o projeto marca um avanço estratégico para a empresa. “Essa colaboração com o Argonne representa um passo significativo para implantar uma plataforma de separação de terras raras de classe mundial, digitalmente habilitada”, afirmou. “Esperamos acelerar o ramp-up industrial, melhorar a eficiência e reduzir riscos de execução.”
IA aplicada à separação de terras raras
O acordo, firmado por meio de um Cooperative Research and Development Agreement (CRADA), envolve a subsidiária norte-americana Aclara Technologies e o Argonne National Laboratory (ANL). A cooperação prevê o uso da plataforma de modelagem SolventX, desenvolvida pelo laboratório, aliada a técnicas avançadas de computação, modelagem de processos e inteligência artificial.
Essas ferramentas serão integradas aos dados proprietários obtidos pela Aclara em escala piloto, resultando em uma representação digital de alta fidelidade do processo de separação de terras raras pesadas. O chamado gêmeo digital permitirá testar virtualmente diferentes condições operacionais antes da aplicação em plantas industriais.
De Goiás aos Estados Unidos
A iniciativa se conecta diretamente ao portfólio global da Aclara, que tem no Projeto Carina, em Goiás, seu principal projeto de desenvolvimento de recursos minerais. A empresa também mantém o módulo Penco, no Chile.
O gêmeo digital será continuamente aprimorado com dados gerados em campanhas piloto, incluindo aquelas realizadas na planta de separação de terras raras desenvolvida em parceria com a Virginia Tech, cuja inauguração está prevista para março de 2026. O objetivo é encurtar o caminho entre a validação em laboratório e a operação industrial em larga escala.
Do ponto de vista tecnológico, a IA deve permitir ganhos relevantes de produtividade e resiliência. Entre os resultados esperados estão maior eficiência operacional e taxas de recuperação, adaptação rápida a variações na composição do minério e redução de incertezas durante a ampliação de escala.
Para Seth Darling, diretor de ciência e tecnologia de Energias Avançadas do Argonne, a parceria reforça o papel dos laboratórios nacionais no fortalecimento das cadeias produtivas estratégicas. “Essa colaboração mostra como a união entre indústria, academia e laboratórios nacionais pode acelerar o desenvolvimento de tecnologias avançadas e fortalecer a competitividade industrial”, disse. “Também contribui para cadeias de suprimento mais resilientes de materiais críticos.”
Fundado em 1946, o Argonne National Laboratory é reconhecido mundialmente por sua capacidade em supercomputação, incluindo o sistema Aurora, um dos primeiros supercomputadores em escala exa, capaz de realizar mais de um quintilhão de cálculos por segundo. Essa infraestrutura tem sido aplicada em pesquisas sobre terras raras, fundamentais para setores como energia, mobilidade elétrica, defesa e tecnologia de ponta — áreas nas quais Goiás busca se posicionar como polo estratégico no Brasil.
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