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Por Redação
O fundo de investimento em infraestrutura Planck arrematou ativos da massa falida da mineradora MMX, fundada pelo empresário Eike Batista, em leilão judicial realizado no Rio de Janeiro. Sem concorrentes, o fundo, que atuava como proponente preferencial, venceu pelo valor mínimo, comprometendo-se a pagar R$ 66,3 milhões.
O montante inclui o lance base de R$ 60 milhões, R$ 3 milhões em despesas processuais e R$ 3,3 milhões referentes à atualização pela inflação desde a avaliação dos ativos, feita em dezembro de 2024.
O leilão foi conduzido pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira na 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Centro da capital fluminense. A disputa envolveu ativos vinculados à participação da massa falida da MMX no Porto do Sudeste, terminal localizado na Baía de Sepetiba, em Itaguaí.
A avaliação original do lote havia sido fixada em R$ 63 milhões, valor que já incluía custas processuais. Após a realização do certame, ficou definido que a proposta mínima de R$ 60 milhões seria corrigida pela inflação acumulada entre 1º de dezembro de 2024 — data da avaliação — e a conclusão do leilão.
O pacote negociado inclui 9.519.226 debêntures conversíveis em ações do Porto do Sudeste e 6.336.766 ações ordinárias da empresa. Esses ativos foram avaliados em R$ 57,88 milhões pela consultoria B23 Capital Assessores Financeiros.
A venda foi estruturada no modelo conhecido como stalking horse offer, mecanismo que prevê um proponente inicial com preferência na aquisição do ativo pelo valor mínimo definido pela Justiça. A estratégia busca garantir uma oferta mínima à massa falida e estimular eventuais propostas concorrentes.
Inicialmente previsto para meados de 2025, o leilão foi adiado após questionamentos apresentados pelo Ministério Público e posteriormente analisados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O processo acabou sendo mantido, permitindo a realização do certame.
A falência da MMX foi decretada em 2021, no contexto do colapso do grupo EBX, conglomerado de empresas criado por Eike Batista. O Porto do Sudeste havia sido projetado para escoar minério produzido pela mineradora em Minas Gerais. Em 2014, durante a recuperação judicial da companhia, o terminal foi vendido para a trading holandesa Trafigura e para o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala.
Após a queda de seu império empresarial, Eike Batista busca retomar projetos no setor de energia. O empresário tem defendido uma iniciativa baseada na produção de etanol a partir de uma variedade de cana-de-açúcar de alta produtividade, com potencial uso na fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF) e de embalagens biodegradáveis.
A nova empreitada inclui a tentativa de captar até US$ 100 milhões por meio da venda de um criptoativo associado ao projeto. A oferta chegou a ser barrada no Brasil pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas o empresário afirma que o token foi estruturado para ser comercializado fora do país.














