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Por Ricardo Lima
A Energy Fuels, empresa dos Estados Unidos e uma das principais produtoras norte-americanas de urânio, elementos de terras raras e outros materiais críticos, anunciou na terça-feira (20) a aquisição de 100% da Australian Strategic Materials (ASM), em uma transação avaliada em US$ 299 milhões, com o objetivo de formar o maior produtor totalmente integrado de terras raras fora da China. A operação reforça a estratégia da companhia de fechar lacunas críticas na cadeia global de suprimentos desses minerais essenciais para setores como automotivo, energia, robótica e defesa.
Com a aquisição das operações da ASM na Coreia do Sul e na Austrália, somadas aos ativos da Energy Fuels em Utah e a projetos adicionais no Brasil e em Madagascar, a empresa passa a atuar de forma integrada em toda a cadeia, da extração à produção de óxidos, metais e ligas de terras raras, ampliando escala, margens e competitividade no mercado internacional.
“Estamos executando nosso plano para criar o maior produtor totalmente integrado de materiais de terras raras fora da China, incluindo óxidos, metais e ligas”, afirmou Mark S. Chalmers, CEO da Energy Fuels.
Projeto Bahia no Brasil
No Brasil, a estratégia global da Energy Fuels ganha um recorte local com o Projeto Bahia; 100% controlado pela companhia e localizado no extremo sul do estado. O Projeto é focado em terras raras, especificamente na extração de areias pesadas ricas em monazita, um mineral que contém esses elementos A iniciativa abrange os municípios de Alcobaça, Caravelas e Prado, regiões ricas em história e com potencial crescente na extração de minerais críticos, fortalecendo o papel do sul da Bahia na cadeia global de suprimento voltada à transição energética.
Integração “da mina ao metal” fora da China
A transação combina a produção de óxidos de terras raras da Energy Fuels na usina White Mesa Mill, em Utah, a única dos Estados Unidos capaz de separar concentrados de monazita em óxidos leves e pesados, com a planta de metais e ligas da ASM na Coreia do Sul (Korean Metals Plant – KMP).
Segundo a companhia, essa integração vertical permitirá atender clientes em diferentes estágios da cadeia de valor, reduzindo a dependência global da China no refino e na metalurgia desses insumos estratégicos.
“A Energy Fuels está avançando rapidamente para capturar oportunidades geradoras de valor, diferenciar a empresa em relação aos seus pares e, em última instância, oferecer um valor único aos clientes da cadeia de suprimentos de terras raras fora da China“
Mark Chalmers – CEO da Energy Fuels
Produção estratégica para setores críticos
A planta coreana da ASM é uma das poucas fora da China capazes de produzir metais e ligas de terras raras como neodímio-praseodímio (NdPr), disprósio (Dy) e térbio (Tb), além de ligas magnéticas usadas em motores elétricos e tecnologias avançadas.
Com a aquisição, a Energy Fuels também avança no plano de construir a American Metals Plant (AMP), nos Estados Unidos, com capacidade para produzir até 2 mil toneladas anuais de ligas, usando a tecnologia já validada na Coreia.
“Vemos uma grande oportunidade ao combinar a produção de óxidos nos EUA com a capacidade de fabricação de metais e ligas da ASM, uma das únicas instalações desse tipo fora da China”, destacou Chalmers.
Além dos ativos industriais, a Energy Fuels incorpora o projeto Dubbo da ASM, em Nova Gales do Sul, na Austrália, fortalecendo seu pipeline de desenvolvimento de terras raras. O portfólio já inclui projetos na Austrália, Madagascar e Brasil, que deverão abastecer a expansão da White Mesa Mill.
A meta é atingir uma produção anual de 6 mil toneladas de NdPr, 240 toneladas de disprósio e 66 toneladas de térbio em óxidos.
“O acesso ao projeto Dubbo amplia significativamente nossas oportunidades de crescimento de longo prazo e fortalece nosso portfólio global de recursos minerais”, afirmou o CEO.
Valor para acionistas e próximos passos
A operação atribui à ASM um valor implícito de cerca de A$ 447 milhões (US$ 299 milhões), com expectativa de geração de valor por meio do aumento de margens e ganhos de escala. Após a conclusão, os acionistas da ASM deverão deter aproximadamente 5,8% das ações da Energy Fuels.
O conselho da ASM recomendou unanimemente a aprovação do negócio, que ainda depende do aval de acionistas, órgãos reguladores australianos e da Justiça local. A expectativa é que a transação seja concluída até o fim do primeiro semestre de 2026.












