Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Redação
Afinal, os princípios ESG estão de fato transformando a relação entre mineração e comunidades ou se tornaram apenas mais um discurso corporativo? A provocação marcou os debates do Fórum de Líderes da 11ª edição do Mineração &X Comunidades, principal encontro dedicado ao relacionamento entre a indústria mineral e os territórios onde ela atua.
Ao discutir o tema “O ESG resolve o X da questão?”, executivos de empresas como Anglo Gold Ashanti, Aura Minerals, PLS Brasil, Galvani e Vale defenderam que a agenda socioambiental vai além de indicadores e relatórios e depende, sobretudo, da construção de confiança e do fortalecimento das relações humanas.
Para Wilson Brumer sustentabilidade não pode ser reduzida aos aspectos ambientais. Segundo ele, a gestão de pessoas continua sendo o elemento central da agenda ESG.
“A história fica muito nos números, mas, antes de mais nada, sustentabilidade é gente. É comunidade, é tecnologia e também é lucro. Se a empresa não der lucro, ela também não é sustentável”, afirmou.
Na mesma linha, Othon de Villefort Maia, da Anglo Gold Ashanti, disse que o componente social do ESG deixou de ser uma tendência para se tornar uma questão de sobrevivência para as empresas do setor mineral.
“Na perspectiva da Anglo Gold, o ‘S’ veio para ficar. Ele pode se transformar ao longo da jornada, mas continuará sendo crucial para a agenda estratégica das organizações e um item de sobrevivência para a mineração”, afirmou.
Reconhecimento do Território
Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil, destacou que a confiança conquistada nos territórios depende do alinhamento dos valores da empresa, do topo à base da organização.
“Isso faz uma diferença fundamental dentro do trabalho e explica o reconhecimento que hoje temos no território. As comunidades nos veem como uma empresa em que podem confiar e que desejam ter por perto”, afirmou.
Outro desafio apontado pelos participantes foi conciliar os cronogramas financeiros dos projetos com o ritmo de construção das relações sociais.
“A gente sabe que o tempo do projeto e o cronograma financeiro nunca serão iguais ao tempo da construção do relacionamento com a comunidade”, observou Isabela Dumont, Head de Pessoas, ESG e Comunicação da Aura Minerals.
Transparência e participação
Rafael Murro, diretor de Operações da Galvani, defendeu a importância da aproximação com as comunidades desde a fase de implantação dos empreendimentos.
“Quando você tem um empreendimento sendo construído perto da sua casa, é natural que as pessoas tenham dúvidas. Trazer a comunidade para dentro de casa nos deu mais transparência e permitiu diálogos duros, mas também gerou uma confiança muito maior”, disse.
Já Gabriela Santos, da Vale, ressaltou a importância de incorporar a sustentabilidade às rotinas operacionais e aproximar as equipes técnicas dessa agenda.
“Conheço a realidade da operação e acredito que ainda temos muito a contribuir para desmistificar a sustentabilidade e mostrar, no dia a dia, como cada profissional pode fazer parte dessa construção”, afirmou.
Mais do que uma sigla ou uma exigência de mercado, o ESG só produz resultados concretos quando se traduz em relações de confiança, transparência e diálogo permanente com as comunidades.












