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Por Ricardo Lima
A China, maior consumidora mundial de minério de ferro, recebeu o primeiro carregamento do insumo proveniente da mina de Simandou, na Guiné, na África Ocidental, um projeto no qual Pequim fez investimentos significativos para fortalecer sua segurança no abastecimento. A chegada da carga marca um passo importante na estratégia chinesa de diversificação das fontes de minério, atualmente concentradas principalmente em fornecedores da Austrália e do Brasil. Informações de acordo com a Reuters.
Um navio transportando cerca de 200 mil toneladas métricas de minério de ferro de Simandou atracou no porto de Majishan, na província de Zhejiang, no leste da China, em 17 de janeiro, após uma viagem de 46 dias. A informação foi divulgada no sábado pelo China Baowu Steel Group, maior produtor de aço do mundo, em comunicado publicado em sua conta oficial no WeChat.
Atualmente, a China importa cerca de 80% do minério de ferro que consome, majoritariamente da Austrália e do Brasil. Para reduzir essa dependência, o país tem ampliado a produção doméstica e intensificado investimentos em projetos minerários no exterior, com destaque para Simandou, considerado um dos maiores e mais ricos depósitos de minério de ferro ainda inexplorados do mundo.
O complexo de Simandou tem capacidade planejada de produção anual de 120 milhões de toneladas e é composto por quatro blocos de mineração, que produzem minério de alta qualidade, com teor de ferro de aproximadamente 65%.
Entre os investidores do projeto estão a mineradora anglo-australiana Rio Tinto, a empresa chinesa Chalco e o consórcio Winning Consortium Simandou (WCS), uma parceria sino-singapurense. O China Baowu também figura como acionista relevante após a conclusão da transferência de direitos de participação detidos pelo WCS.
A importância estratégica do projeto para Pequim ficou evidente em novembro, quando o vice-primeiro-ministro chinês Liu Guozhong participou da cerimônia de comissionamento da mina na Guiné.
Segundo o China Baowu, um segundo carregamento de minério de ferro de Simandou deixou a Guiné no fim de dezembro. Em paralelo, o governo chinês criou em 2022 o China Mineral Resources Group, com o objetivo de centralizar a compra de minério de ferro e obter melhores condições comerciais junto às mineradoras globais.











