sexta-feira, 12 abril, 2024
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Brasil está a um passo de entrar no mapa mundial de produção de lítio

O Brasil está a um passo de entrar no seleto grupo de fornecedores de lítio para fabricação de baterias em escala global.

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“É um feito imenso para um país que não existia na cadeia de suprimentos até a gente chegar,” afirmou Ana Cabral-Gardner, CEO da Sigma Lithium.

Gardner, que abriu o evento Brazilian Mining Day nesta segunda-feira (6/03), dentro da
conferência mundial de mineração PDAC 2023, destacou que a Sigma está colocando no
mercado um produto de característica única, que combina eficiência e mineração sustentável.

O lithium que vai ser produzido pela Sigma a partir de abril deste ano ganhou a classificação de pré-químico pelo fato de ser pré-purificado e granulado.

“Em função de um processo de purificação, separação e concentração diferenciado, e único no mundo, conseguimos entregar um produto que viabiliza um custo de refino mais barato para nossos clientes, da ordem de 30%,” explicou Gardner.

Pelo fato de ser granulado, o lítio brasileiro difere do lítio produzido de outros depósitos
rochosos como na Austrália, onde o produto é entregue “talquificado”.

“Oferecemos um prêmio de qualidade que vai para a base de custo do cliente,” resaltou.

Gardner contou que a Sigma vai fornecer para um mercado que hoje é concentrado em cinco fabricantes mundiais de baterias (giga factories), localizados na China, Coreia e Japão.

“Esse ganho de margem no refino final facilitou a nossa entrada nesse mercado. A gente
viabilizou uma gama de refinadores porque o produto é entregue já na especificação de
pureza”

Em fase de comissionamento, a planta da Sigma começa com uma produção anualizada que vai atingir 270 mil ton/ano em agosto, e que será ampliada para 760 mil ton/ano com a entrada de mais duas linhas de produção em 2024.

Em sua apresentação, Gardner mostrou que os volumes de produção vão colocar a Sigma na quarta posição em um ranking de fornecedores mundiais de lítio.

A produção de lítio no Brasil hoje é da ordem de 13 mil ton/ano, e é basicamente destinada ao mercado doméstico.

Além do diferencial de eficiência, Gardner destacou que a operação da Sigma, localizada no
Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, se distingue pelas suas características de
sustentabilidade ambiental e social.

Única no mundo a produzir lítio em uma operação sem represamento de tailing, a Sigma
também se orgulha pelo desenvolvimento econômico proporcionado à região mineira.

“Estamos colocando uma planta onde não havia nenhuma atividade econômica e abrindo uma estrada para criar o vale do lítio naquela região,” contou, já vislumbrando a perspectiva de que outras mineradoras que iniciam a exploração de lítio em outros depósitos da região possam se beneficiar da infraestrutura da Sigma para processar sua produção.

“Já existem pelo menos oito empresas globais listadas no Canadá e na Austrália que estão
investindo em lítio na região”, comemorou, acrescentando que o modelo da Sigma poderá
ajudar outras operações com metais críticos no Brasil a alçar o mercado mundial de baterias.

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