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Por Ricardo Lima
A Mineração Serra Verde avalia uma expansão que pode dobrar sua produção de terras raras no Brasil até 2030, enquanto avança na otimização da operação do projeto Pela Ema, em Goiás. Controlada pela Denham Capital, a companhia recentemente recebeu financiamento de US$ 565 milhões da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC).
Única produtora em larga escala fora da Ásia de terras raras pesadas, a empresa iniciou produção comercial em 2024 e prevê atingir até 6.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras até 2027, segundo o presidente e COO Ricardo Grossi, em entrevista à BNamericas.
Ricardo Grossi afirmou que a companhia já opera comercialmente desde 2024 e projeta crescimento da produção com a otimização da planta. “À medida que a otimização avança, esperamos que a produção alcance até 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027”, disse, acrescentando que a empresa avalia uma expansão de Fase II que pode dobrar a produção antes de 2030.
Produção, expansão e demanda global
Grossi afirmou que a companhia não divulga valores detalhados de investimentos ou orçamento de expansão. “Nossos acionistas atuais demonstraram forte apoio de longo prazo ao empreendimento, tendo investido capital substancial para levar a operação Pela Ema à produção comercial e apoiar sua otimização”, disse.
Destacando o financiamento internacional do DFC como um “marco importante”, o executivo afirmou que a empresa avalia de forma constante possíveis financiadores. “Avaliamos continuamente alternativas de captação de recursos alinhadas às necessidades operacionais e à estratégia de crescimento”, disse.
O presidente e COO explicou que a produção atual se concentra em elementos magnéticos críticos para tecnologias avançadas. “A Serra Verde produz um carbonato misto de terras raras de alta pureza, contendo neodímio, praseodímio, disprósio e térbio”, afirmou, destacando que os materiais são destinados principalmente aos setores de mobilidade elétrica, energia renovável, eletrônicos avançados, aeroespacial e defesa.
Segundo ele, a empresa possui relevância estratégica no mercado internacional. “Como o único produtor em larga escala de ETR pesadas fora da Ásia, o produto da Serra Verde tem demanda significativa e estamos em discussões com múltiplos potenciais clientes”, disse, observando que a companhia não divulga clientes ou mercados específicos por razões contratuais.
Em linha com essa demanda, o CEO da empresa, Thras Moraitis, afirmou à Reuters em dezembro que compradores chineses, norte-americanos, japoneses, europeus e canadenses têm procurado a Serra Verde.
Grossi afirmou que o foco operacional da companhia permanece concentrado no desenvolvimento da unidade localizada no município de Minaçu, no estado de Goiás. “Nossa prioridade é continuar o desenvolvimento do depósito Pela Ema e reforçar o papel da Serra Verde como produtora responsável de elementos magnéticos de terras raras de alta pureza”, disse, indicando que a empresa não busca novos ativos no país neste momento.
Tecnologia e desenvolvimento da operação
O executivo afirmou que a implantação da operação exigiu longo período de desenvolvimento e inovação tecnológica. “A Serra Verde esteve em desenvolvimento por mais de 15 anos antes de iniciar a produção comercial em 2024”, disse, apontando a complexidade do processamento de terras raras e a concentração global das etapas downstream como desafios estruturais.
Segundo ele, a empresa também estruturou sistemas ambientais e capacidades locais para viabilizar a operação. “Formamos equipes técnicas especializadas, fortalecemos redes de fornecedores e fomentamos relacionamentos sólidos com reguladores, investidores e comunidades anfitriãs”, afirmou, ressaltando a execução disciplinada e o investimento contínuo no projeto.
Grossi explicou que o depósito de argila iônica permite métodos de mineração menos intensivos. “A lavra é realizada por métodos simples de mina a céu aberto, reduzindo a necessidade de equipamentos pesados de fragmentação e diminuindo o risco operacional”, disse, acrescentando que a operação apresenta impacto ambiental menor que muitos outros segmentos da mineração.
Ele destacou ainda a necessidade de mão de obra especializada. “Operações de terras raras exigem equipes multidisciplinares combinando engenharia de minas, hidrometalurgia, química e gestão ambiental”, afirmou, indicando a complexidade técnica da atividade.
O executivo afirmou que parte relevante das operações é atendida por fornecedores brasileiros. “O Brasil possui um ecossistema bem estabelecido de serviços para mineração, e uma parcela significativa das necessidades operacionais da Serra Verde é atendida por fornecedores domésticos”, disse, ressaltando que equipamentos especializados ainda dependem de fornecedores internacionais.
Segundo ele, a empresa busca fortalecer a indústria local. “Trabalhamos para desenvolver redes de fornecedores locais, transferir conhecimento e construir capacidade técnica”, afirmou, destacando iniciativas de desenvolvimento da cadeia produtiva.
Regulação e potencial do Brasil no setor
Grossi afirmou que previsibilidade regulatória é fator essencial para investimentos no setor. “A atratividade do setor depende de previsibilidade regulatória e de um processo de licenciamento eficiente”, disse, defendendo maior coordenação entre indústria e reguladores para ampliar a competitividade do país.
O executivo avaliou que o Brasil possui vantagens estruturais para se tornar um ator global relevante. “O Brasil está bem posicionado para desempenhar um papel relevante no setor de terras raras”, disse, citando base de recursos minerais, matriz energética renovável e força de trabalho qualificada como fatores favoráveis.
Ele destacou ainda a contribuição da empresa para o setor. “A Serra Verde contribui para esse desenvolvimento como a primeira produtora em larga escala do Brasil de elementos magnéticos de terras raras”, afirmou, ressaltando a participação do país em cadeias globais de suprimento.
Além disso, ele destacou que a viabilidade de projetos depende de condições geológicas e institucionais. “A viabilidade de um projeto de terras raras depende da qualidade, escala e composição do recurso”, disse, citando dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos e destacando que o desenvolvimento pode levar mais de uma década.












