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Por Redação
O Porto de Natal, no Rio Grande do Norte, iniciará a exportação de minério de ferro no segundo semestre de 2028, após a assinatura do contrato de concessão do Pátio Norte pela empresa indiana Fomento do Brasil Mineração. O acordo deve ser formalizado nos próximos 90 dias, com previsão de investimentos de até R$ 55 milhões ao longo dos 15 anos de arrendamento.
A informação foi confirmada ao jornal Tribuna do Norte pelo gerente de portos e logística da companhia, Alan Jones Tavares. Segundo ele, as obras de adequação operacional no terminal portuário devem ocorrer nos próximos dois anos, em paralelo ao avanço do projeto de exploração mineral no interior do Estado.
A Fomento do Brasil Mineração arrematou o Pátio Norte do Porto de Natal em leilão realizado na B3. Nos próximos dias, a empresa deverá protocolar a documentação e apresentar o plano de investimentos à Companhia Docas do Rio Grande do Norte e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
A execução das melhorias estruturais no porto será condicionada ao andamento do projeto minerário no interior potiguar, incluindo licenciamento ambiental e implantação da planta industrial.
Meta é exportar 2,2 mil toneladas por ano
De acordo com Alan Jones Tavares, a expectativa é que, a partir de 2029, sejam exportadas anualmente cerca de 2,2 mil toneladas de minério de ferro. No segundo semestre de 2028, período inicial das operações, a meta é alcançar o maior volume possível de embarques para os principais mercados importadores.
Embora o volume previsto seja inferior ao movimentado por grandes mineradoras nacionais, o executivo destaca que o diferencial está na qualidade do minério extraído no Rio Grande do Norte.
“É diferente da grande maioria do minério que estamos acostumados a ver, por exemplo, no quadrilátero em Minas Gerais ou o minério das minas de Carajás, pois tem uma condição geológica diferenciada. Isso faz com que esse minério seja mais rico e menos contaminante, de certa forma”, afirmou.
O mineral a ser exportado é o pellet feed, conhecido no setor como “minério verde”. A jazida foi identificada após estudos contratados pela empresa na microrregião da Borborema Potiguar, que abrange municípios como Tangará, Serra Caiada, Sítio Novo e Senador Elói de Souza.
A exploração integra o projeto Ferro Potiguar, conduzido pela companhia indiana, e deve ocorrer simultaneamente à preparação da estrutura portuária.
Licenciamento ambiental e realocação de famílias
O início da viabilização da mina está em processo de licenciamento junto ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN. O procedimento inclui a realocação de famílias residentes em áreas destinadas à exploração mineral.
Segundo o gerente, somente após essa etapa será possível avançar com a construção da planta de mineração e da usina de beneficiamento, consideradas essenciais para viabilizar o escoamento da produção pelo Porto de Natal.
“Tudo precisa estar casado para que termine mais ou menos ao mesmo tempo. Então tem a unidade de produção, a logística para acessar o ponto de saída e a operação portuária para poder liberar a carga. Tudo deve estar funcionando como um relógio para conseguirmos dar vazão à produção”, concluiu.














