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Por Ricardo Lima
A indústria global de mineração vive um momento decisivo, impulsionada pela crescente demanda por minerais críticos essenciais ao avanço tecnológico, à inteligência artificial e às transformações da economia global. A avaliação é do CEO da Vale, Gustavo Pimenta, em entrevista ao âncora da CNN International, Richard Quest.
Segundo o executivo, o desafio agora é acelerar a oferta global desses minerais, em um contexto de licenciamento mais complexo, projetos de longa maturação e necessidade de investimentos bilionários, cenário no qual o Brasil pode assumir papel central no abastecimento mundial.
Pimenta ressaltou que o avanço tecnológico tornará a mineração ainda mais indispensável. “Vivemos melhor e por mais tempo graças a algo que foi minerado”, afirmou. “Quando olhamos para o futuro, para a inteligência artificial e tudo o que queremos fazer, a quantidade de mineração necessária será ainda maior.”
Segundo ele, estimativas indicam um salto expressivo na produção global. “Precisamos aumentar a oferta de minerais críticos em cinco a seis vezes em relação a tudo o que foi construído até hoje”, afirmou. “Isso representa um volume imenso de investimentos, bilhões de dólares que precisam ser direcionados para esse setor.”
Demanda em alta de minerais críticos e entraves
Para Pimenta, cresce a consciência global sobre a importância estratégica da mineração. “As pessoas estão acordando para a importância dos minerais críticos”, afirmou. Ele destacou que o setor atravessa um período singular. “Estamos em um momento muito especial para a indústria de mineração.”
O principal entrave, segundo o CEO da Vale, está no ritmo da oferta. “Acho que um dos desafios que enfrentamos é o suprimento, e estamos trabalhando nisso”, disse, ao lembrar que o tempo necessário para transformar descobertas em produção é longo. “Hoje, entre a exploração e a entrada dos projetos em operação, levamos cerca de 15 anos.”
Pimenta apontou obstáculos regulatórios e sociais. “O licenciamento está demorando mais, permanentemente”, afirmou. Para ele, ainda há resistência da sociedade em relação à atividade mineradora. “A sociedade ainda tem dificuldade em absorver a mineração e entender que ela é necessária.”
Nesse contexto, o executivo defendeu maior diálogo. “Precisamos trabalhar como atores da sociedade para garantir que possamos alinhar esse processo de forma mais rápida”, disse.
Para o CEO da Vale, a principal questão agora é doméstica. “A pergunta-chave para o Brasil é: como acelerar o desenvolvimento da mineração no país?”, afirmou. Segundo ele, a empresa já trabalha em conjunto com o governo brasileiro para avançar nesse sentido.
“Estou esperançoso de que conseguiremos fazer muito melhor”, disse. Para Pimenta, o setor precisa também mudar sua imagem. “Podemos demonstrar não apenas que somos essenciais, mas que o que fazemos pode tornar o mundo melhor.”
Brasil como fornecedor global estratégico
Na avaliação do CEO da Vale, o Brasil reúne vantagens competitivas únicas. “O Brasil tem a tabela periódica em seu território. Temos tudo em escala”, afirmou. Ele lembrou que o país está entre os cinco maiores produtores globais de minério de ferro de alto teor, além de contar com reservas relevantes de terras raras, níquel, cobre e cobalto. Para Pimenta, o país se apresenta como fornecedor confiável em um cenário global fragmentado, devido a sua neutralidade geopolítica. “O Brasil é uma democracia estável e pode abastecer tanto os Estados Unidos quanto a China.”
Pimenta observou que, em diversas regiões do mundo, os depósitos mais acessíveis já foram explorados. “É difícil minerar em lugares como a Groenlândia. Os bons depósitos, em sua maioria, já se foram”, afirmou. Para ele, isso deve leva investidores a buscar áreas mais complexas, caras e demoradas.











