Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Ricardo Lima
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, realizada neste sábado, em Bogotá, para defender que países da América Latina e do Caribe tenham controle sobre todas as etapas da cadeia produtiva dos minerais críticos, diante do interesse de nações mais ricas. Ele destacou que a região já foi explorada no passado, conquistou soberania e não pode voltar a se limitar à exportação de matérias-primas. Informações segundo o jornal O Globo.
“Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolvê-lo”, disse Lula, ao se referir ao interesse internacional por terras raras e outros minerais críticos. “Nós já fomos colonizados, fizemos luta pela independência, conquistamos democracia, perdemos democracia, agora estão querendo nos colonizar outra vez”, concluiu.
Ele relembrou o ciclo histórico de exploração de ouro e prata imposto aos países latino-americanos e ressaltou a necessidade de romper com esse modelo.
“Levaram quase tudo da Bolívia. Agora que a Bolívia tem minérios críticos, é a chance da Bolívia. É a chance de a América Latina não aceitar ser apenas exportadora de minerais”, afirmou.
O presidente também defendeu maior integração regional e a adoção de regras comuns entre os países. “Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”, declarou.
Interesse dos EUA na cadeia de terras raras
As reservas conhecidas de terras raras no Brasil têm valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo cálculo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, com base em preços internacionais e nos valores do PIB de 2024. Esses minerais são considerados estratégicos por serem essenciais à produção de baterias, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos eletrônicos.
A importância desses minerais se insere em um contexto geopolítico mais amplo, marcado pela tentativa dos Estados Unidos de reduzir a dependência da China, que hoje ocupa posição dominante não apenas na mineração, mas sobretudo no refino global desses insumos.
Nesse cenário, em fevereiro deste ano, o governo norte-americano convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos. A proposta prevê parcerias para garantir acesso a esses insumos, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de aumentar a previsibilidade do mercado.
Apesar do convite, o governo brasileiro ainda não definiu uma posição oficial sobre uma eventual adesão. Segundo um interlocutor com acesso às negociações, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne, neste momento, elementos técnicos e políticos para avaliar o alcance da proposta e suas implicações estratégicas.
Em paralelo, Goiás se antecipou ao governo federal e assinou, na quarta-feira (18), um Memorando de Entendimento (MOU) com os Estados Unidos voltado à cooperação em minerais críticos.














