Por Redação
A crise humanitária na Terra Indígena Yanomami, que ganhou repercussão nacional em janeiro de 2023, expôs os impactos do garimpo ilegal sobre os povos indígenas e o meio ambiente. A invasão do território, a contaminação dos rios e o agravamento das condições de saúde da população evidenciaram a dimensão de uma atividade que ultrapassa as fronteiras da floresta e alcança os mercados e as instituições responsáveis por regular a comercialização do ouro no país.
Esse percurso é o ponto de partida de Na rota do ouro: a luta contra a ilegalidade no Brasil, livro da BEĨ Editora que será lançado em 23 de outubro. Na obra, a pesquisadora Larissa Araújo Rodrigues reconstitui a mobilização que levou ao fortalecimento de medidas de combate à exploração ilegal do metal, desde as ações de fiscalização em territórios amazônicos até mudanças regulatórias e iniciativas que chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Doutora e mestre em Energia pela Universidade de São Paulo (USP) e diretora de pesquisa do Instituto Escolhas, Larissa atua há quase duas décadas na interface entre recursos naturais e políticas públicas. Seu trabalho contribuiu para embasar iniciativas voltadas à redução da extração ilegal de ouro e ao aprimoramento dos mecanismos de controle sobre sua comercialização.
Mais do que documentar os danos ambientais e sociais do garimpo, o livro investiga as falhas que permitiram a entrada de ouro de origem ilegal no mercado formal. Em um setor que movimenta bilhões de reais, transações de alto valor eram registradas em notas fiscais de papel, dificultando a rastreabilidade da origem do metal. A publicação mostra como pesquisas, articulações institucionais e decisões judiciais contribuíram para transformar esse cenário.
Da Amazônia aos centros de decisão
A narrativa também incorpora a experiência de campo da autora. Durante as gravações de O desafio de Parker, produção do Discovery Channel apresentada pelo minerador norte-americano Parker Schnabel, Larissa percorreu regiões de garimpo em Mato Grosso, Pará e Rondônia. A vivência nesses territórios se soma à participação em debates legislativos, reuniões com órgãos públicos e iniciativas judiciais relacionadas ao enfrentamento da atividade ilegal.
A combinação entre a experiência em campo e a atuação institucional ajuda a explicar por que o combate ao garimpo ilegal exige medidas que vão além da retirada de invasores de terras indígenas. Segundo a abordagem apresentada no livro, é necessário aprimorar a rastreabilidade do ouro, responsabilizar os agentes envolvidos na cadeia de compra e venda e dificultar a comercialização de produtos de origem ilegal.
Ao recuperar a articulação entre pesquisadores, instituições públicas e organizações da sociedade civil, Na rota do ouro examina os caminhos percorridos para ampliar o controle sobre o setor e os desafios para manter os avanços alcançados. A obra também coloca em debate a capacidade do Estado de fiscalizar um mercado bilionário e de proteger a Amazônia e os povos indígenas diante da persistência do garimpo ilegal.
O livro estará disponível nas livrarias de todo o país e no site da BEĨ Editora. O lançamento será realizado em 23 de outubro, a partir das 19h, na Livraria da Travessa de Pinheiros, em São Paulo, com uma conversa entre a autora e o público.














