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Por Ricardo Lima
Goiás e Estados Unidos firmaram, nesta quarta-feira (18/3), em São Paulo, um Memorando de Entendimento (MOU) sobre minerais críticos. A iniciativa busca ampliar parcerias em pesquisa e tecnologia, além de criar condições para atrair investimentos e desenvolver a cadeia produtiva no estado.
Assinado pelo governador Ronaldo Caiado e pelo encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, o acordo coloca Goiás à frente no país, já que o governo federal ainda não possui parceria semelhante, e prevê estímulo à participação de universidades e empresas, com foco no processamento de minerais e na produção de itens de maior valor agregado.
“Ao invés de ser apenas um exportador de minério bruto, como Pará e Minas Gerais, estamos pegando as terras raras e evoluindo a tecnologia, que hoje quem tem são os chineses, junto com os japoneses. Uma técnica que os americanos têm e que nós ainda temos numa fase muito rudimentar”, afirmou Caiado.
O governador afirmou que a intenção é ampliar a capacidade do estado em pesquisa e inovação para tornar Goiás uma referência geoeconômica, com impactos na geração de renda e na qualidade de vida, além de fortalecer a cooperação com os Estados Unidos.
Criada em agosto de 2025, a Autoridade de Minerais Críticos do Estado de Goiás (Amic) já viabiliza parcerias internacionais, como o memorando firmado neste mês com a Organização Japonesa para Metais e Segurança Energética (JOGMEC). “Goiás soube, em tempo hábil, aprovar uma lei que define a autoridade de minerais críticos. Tudo dentro do ponto de vista legal e constitucional“, destacou o governador.
O estado reúne alguns dos principais projetos de terras raras em desenvolvimento no país. Em Minaçu, a mineradora Serra Verde opera o único empreendimento comercial em larga escala de terras raras fora da Ásia. Há ainda iniciativas em expansão em outros municípios goianos.
Acordo prevê tecnologia e industrialização
O memorando estabelece cinco frentes de cooperação entre Goiás e Estados Unidos, que vão do mapeamento do potencial mineral à instalação de uma cadeia industrial completa no estado. O acordo prevê ações conjuntas em pesquisa, assistência técnica e desenvolvimento tecnológico, além da criação de um ambiente mais transparente para investimentos, com intercâmbio de práticas em governança e acesso a fornecedores de equipamentos e tecnologia.
Também inclui medidas para aprimorar o ambiente regulatório e ampliar a competitividade do setor mineral, com foco na atração de capital estrangeiro, e iniciativas de capacitação que aproximam governo, universidades e empresas.
O eixo mais avançado trata da instalação, em Goiás, de etapas industriais hoje concentradas em poucos países, como o processamento de terras raras, produção de ligas metálicas e fabricação de ímãs permanentes. A proposta é agregar valor à produção local e inserir o estado em posições mais estratégicas da cadeia global.
O acordo ainda prevê incentivos fiscais e financeiros para projetos com produção local, geração de empregos e transferência de tecnologia. As medidas se apoiam na Lei de Minerais Críticos de Goiás, que criou zonas com regime regulatório diferenciado e um fundo voltado ao financiamento da cadeia produtiva, além de permitir benefícios tributários e simplificação de processos, condicionados a critérios ambientais e sociais.
Segundo Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, a parceria com Goiás reforça a relação entre os dois países. “Ela abrirá ainda mais portas para exploração, desenvolvimento e investimentos”, afirmou.
Para o governo estadual, o acordo representa uma mudança no modelo histórico de exploração mineral no país. “Pela primeira vez, temos um acordo que permitirá implementar toda a cadeia de valor dos minerais críticos, desde a tecnologia e a pesquisa”, disse o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima. “No caso das terras raras, poderemos produzir aqui um ímã permanente pronto para uso, abastecendo indústrias de defesa e automotivas no mundo inteiro“, afirmou.
O presidente do Sindicato da Indústria da Mineração do Estado de Goiás e Distrito Federal (Minde), Luiz Antônio Vessani, afirma que o estado tem se organizado para desenvolver uma cadeia local de minerais críticos. “Goiás vem conduzindo esse processo de forma organizada, estruturando as etapas fundamentais — do potencial mineral à industrialização — e criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de negócios”, pontuou.

Luiz Antônio Vessani. Imagem: FIEG / Reprodução.
Vessani avalia ainda que o desafio agora é avançar na implementação da agenda de minerais críticos, diante da reorganização das cadeias globais.
“O próximo passo é transformar esse alinhamento em projetos concretos, capazes de gerar desenvolvimento econômico, inovação e maior inserção do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos”
Luiz Antônio Vessani
Estado concentra parcela estratégica das terras raras do país
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de óxidos de terras raras, estimada em cerca de 22 milhões de toneladas, concentradas principalmente em Goiás e Minas Gerais. Nesse cenário, Goiás responde por aproximadamente 25% da disponibilidade global e já reúne projetos estratégicos em desenvolvimento.
O estado abriga atualmente a única operação de terras raras em atividade no país, conduzida pela mineradora Serra Verde, em Minaçu, com financiamento do governo norte-americano. No Norte goiano, a mineradora produz, em escala comercial, metais como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio. Além disso, a Lei nº 23.597/2025 estabeleceu uma estrutura de governança e incentivos para o setor, fortalecendo iniciativas também em municípios como Nova Roma e Iporá.
Em Nova Roma, o projeto de processamento de argilas iônicas da Aclara Resources, denominado Carina, prevê investimentos de R$ 2,8 bilhões e a geração de cerca de 5,7 mil empregos.















