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Por Ricardo Lima
A USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (26) a assinatura de uma carta de intenções com o governo dos Estados Unidos que prevê acesso a até US$ 1,6 bilhão em financiamento público para acelerar a construção de uma cadeia doméstica integrada de terras raras pesadas, considerada estratégica para a competitividade industrial do país frente à China.
O acordo, firmado com o Departamento de Comércio no âmbito do CHIPS Act, soma recursos federais e empréstimos garantidos e ocorre em paralelo a um aporte privado de US$ 1,5 bilhão, elevando o volume total de capital mobilizado pela companhia para US$ 3,1 bilhões.
A carta de intenções foi emitida pelo programa CHIPS do Departamento de Comércio e cobre US$ 277 milhões em financiamento federal proposto, além de um empréstimo sênior garantido de US$ 1,3 bilhão. O entendimento também inclui uma colaboração com o Departamento de Energia (DOE) para o desenvolvimento de tecnologias avançadas de separação de terras raras.
Segundo a empresa, a iniciativa reconhece o papel estratégico da USA Rare Earth no fechamento da lacuna de suprimento de minerais críticos essenciais para semicondutores, defesa, energia e manufatura avançada.
“Esta colaboração histórica com o governo dos EUA representa um passo transformador na missão da USAR de garantir e expandir uma cadeia doméstica resiliente e independente de terras raras”, afirmou a CEO da companhia, Barbara Humpton.
“Com esse apoio público e privado sem precedentes, estamos posicionados para acelerar capacidades domésticas essenciais para a segurança nacional, a competitividade econômica global e as tecnologias críticas do futuro.”
Barbara Humpton – CEO da USA Rare Earth
Produção integrada até 2030
Com os novos recursos, a USA Rare Earth projeta que, até 2030, terá a maior cadeia doméstica integrada de produção de terras raras pesadas, minerais críticos, metais e ímãs permanentes dos Estados Unidos.
O plano inclui a extração de até 40 mil toneladas métricas diárias de minério no depósito de Round Top, no Texas, cuja produção comercial deve começar em 2028. A empresa também pretende processar 8 mil toneladas anuais de óxidos e concentrados de terras raras pesadas, como disprósio, térbio, ítrio, háfnio, gálio e zircônio, hoje amplamente indisponíveis no mercado doméstico.
Além disso, o projeto prevê a internalização de 10 mil toneladas anuais de capacidade de produção de metais e ligas de terras raras pesadas, além da ampliação da capacidade de fabricação de ímãs de neodímio-ferro-boro (NdFeB) para 10 mil toneladas por ano.
Governo americano busca reduzir dependência da China
Autoridades do governo americano ressaltaram que a iniciativa reduz a dependência externa dos Estados Unidos em relação a minerais estratégicos, hoje fortemente concentrados na China. “O projeto de minerais críticos pesados da USA Rare Earth é essencial para restaurar a independência mineral dos Estados Unidos”, afirmou o secretário de Comércio, Howard Lutnick. “Esse investimento garante cadeias de suprimento resilientes e que não dependem mais de nações estrangeiras.”
Na mesma linha, o secretário de Energia, Chris Wright, destacou o impacto geopolítico do projeto. “O Departamento de Energia está encerrando a dependência dos EUA de países estrangeiros para materiais críticos essenciais à nossa economia e à nossa segurança nacional”, disse Wright.
O governo destacou que os recursos do CHIPS Act foram estruturados para alinhar o retorno aos contribuintes e aos investidores institucionais, sem necessidade de subsídios de preços ou contratos de offtake governamentais.
“O financiamento proposto será fundamental para a construção de uma cadeia integrada doméstica de minerais críticos e ímãs NdFeB, essenciais para a fabricação de semicondutores”, afirmou Bill Frauenhofer, diretor do programa CHIPS. “Esses materiais removem gargalos críticos na cadeia de suprimentos da indústria de chips.”
Próximos passos
No quarto trimestre de 2025, a USA Rare Earth concluiu etapas-chave do projeto Round Top, acelerou o cronograma para início da produção em 2028 e manteve no prazo a planta de ímãs em Stillwater, Oklahoma, com comissionamento previsto para o primeiro trimestre de 2026.
A empresa encerrou o ano com mais de US$ 350 milhões em caixa e reforçou parcerias industriais e de engenharia para viabilizar um dos projetos mais ambiciosos da política industrial americana recente.
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