Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
por Fernando Moreira de Souza
Durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, empresas chinesas manifestaram a intenção de investir aproximadamente R$ 27 bilhões em diversos setores da economia brasileira. A informação foi divulgada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que destacou o interesse em áreas como energia renovável, tecnologia, mineração, saúde, logística, alimentos e o setor automotivo.
Entre os investimentos previstos, estão R$ 6 bilhões da montadora GWM para expansão de suas operações no Brasil e exportações para a América do Sul e o México. A Meituan, por sua vez, indicou um aporte de R$ 5,6 bilhões no ramo de entregas, enquanto a Envision anunciou R$ 5 bilhões para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir da cana-de-açúcar. Outras empresas, como Mixue (R$ 3,2 bilhões em lojas de bebidas), CGN (R$ 3 bilhões em um hub de energia no Piauí) e Baiyin (R$ 2,4 bilhões para aquisição de mina de cobre em Alagoas), também participam da ofensiva de investimentos.
Além dos aportes já citados, a chinesa DiDi planeja aplicar R$ 1 bilhão em infraestrutura para recarga de veículos elétricos, enquanto a Longsys prevê R$ 650 milhões na área de semicondutores. Uma parceria entre a Nortec Química e três empresas chinesas deve injetar ainda R$ 350 milhões no setor farmacêutico nacional.
Esses investimentos, além de reforçar a relação bilateral, fazem parte de uma estratégia do governo brasileiro para atrair capital estrangeiro em meio a limitações orçamentárias. Com os aportes, espera-se estimular a geração de empregos, a modernização da infraestrutura e o fortalecimento de cadeias produtivas estratégicas no país.
Comércio exterior: China lidera trocas com o Brasil
Considerada a segunda maior economia global, a China é hoje o principal parceiro comercial do Brasil. Em 2024, o intercâmbio comercial entre os dois países somou US$ 158 bilhões, impulsionado por exportações brasileiras de US$ 94,4 bilhões e importações de US$ 63,6 bilhões. O superávit de US$ 30,7 bilhões representou 41,4% do saldo positivo total da balança comercial brasileira.
Entre os produtos mais exportados para o mercado chinês estão soja, carnes bovina e de frango, celulose, açúcar e algodão. No entanto, um estudo recente da ApexBrasil revelou que há espaço para ampliar a pauta exportadora com quase 400 produtos com potencial de inserção no mercado chinês. A lista inclui tanto itens tradicionais, como petróleo e minério de ferro, quanto produtos de maior valor agregado, como medicamentos, alimentos processados, máquinas e bioenergia.
Por fim, embora o volume total de investimentos ainda dependa da concretização dos projetos anunciados, os sinais vindos de Pequim indicam uma ampliação do interesse chinês no mercado brasileiro. A expectativa do governo Lula é transformar esses compromissos em parcerias sustentáveis de longo prazo.
Fonte: Exame