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Por Ricardo Lima
O potencial da indústria mineral brasileira foi apresentado à comunidade internacional durante o Brazilian Mining Day (BMD), realizado na terça-feira (3) em Toronto, no Canadá, como parte da programação da convenção PDAC 2026. Organizado com participação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o evento destacou um portfólio de 35 projetos de mineração com capacidade estimada de atrair US$ 5,5 bilhões em investimentos para o Brasil. A iniciativa reuniu cerca de 400 convidados e promoveu debates entre representantes do setor público, empresas privadas e investidores estrangeiros.
Além de painéis estratégicos sobre governança regulatória, inovação tecnológica e minerais críticos, o encontro abriu espaço para apresentação direta de projetos a potenciais investidores, com oportunidades distribuídas em diversos estados brasileiros.
Projetos de minerais críticos ganham vitrine internacional
Durante a abertura do Brazilian Mining Day, a diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, destacou a relevância do setor mineral para a estratégia brasileira de atração de investimentos estrangeiros, especialmente no segmento de minerais considerados essenciais para a transição energética e para a indústria tecnológica global.
“No ramo da atração de investimentos, priorizamos os minerais críticos como um dos setores mais relevantes para trazer capital estrangeiro para o Brasil. Este ano divulgamos um catálogo de 35 projetos de mineração com potencial de US$ 5,5 bilhões em diferentes minerais críticos e terras raras em diversas regiões do país”, afirmou Repezza.
Segundo a diretora, a proposta é ampliar a cooperação internacional e estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.
Estamos em busca de investimentos estrangeiros para cooperar com o desenvolvimento brasileiro e incentivar todo o potencial que o Brasil tem para prover ao mundo nossas robustas reservas de minerais críticos
Ana Paula Repezza – ApexBrasil
Como parte da estratégia de promoção do setor, a ApexBrasil apresentou, em parceria com a ADIMB, oito projetos prioritários de exploração e processamento mineral. Os empreendimentos estão localizados em Minas Gerais, Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí, Mato Grosso, São Paulo e Sergipe.
Entre os recursos destacados estão minerais considerados estratégicos para cadeias industriais globais, como terras raras, grafite, lítio, níquel, zinco e cobre.
O material divulgado aos investidores reúne informações técnicas sobre cada projeto, incluindo estágio de exploração, capital necessário para implantação e contatos diretos dos responsáveis pelos empreendimentos.

Ana Paula Repezza. Imagem: Adimb / Divulgação.
“Nas apresentações, apontamos de forma detalhada qual é o investimento necessário e o retorno esperado. O setor de minerais críticos no Brasil tem oportunidades de negócios com possibilidade de retorno do capital investido em até três anos, o que é considerado curto prazo para a mineração”, explicou Repezza.
Mercado de capitais e desafios das mineradoras juniores
Para representantes do setor privado, o evento funciona como uma ponte entre projetos em desenvolvimento e fontes internacionais de financiamento.
“Esse tipo de iniciativa coloca os empreendimentos diretamente em contato com investidores e com um ecossistema pujante. Isso é especialmente importante em projetos voltados a fortalecer cadeias de suprimento dos países ocidentais”, avaliou Ricardo Alves, da mineradora GraphCoa.
Ele destacou que, no caso do grafite — mineral essencial para baterias e tecnologias energéticas — a liderança mundial ainda é da China, o que amplia o interesse internacional em novos fornecedores.
A programação do Brazilian Mining Day foi dividida em dois blocos, com painéis temáticos e sessões de networking. Um dos debates centrais tratou das oportunidades e desafios enfrentados por empresas iniciantes do setor, conhecidas globalmente como “junior minings”.

Imagem: Adimb / Divulgação.
O painel “O mercado de capitais para mineradoras juniores no Brasil: em alta ou imprevisível?”, moderado por Ana Paula Repezza, reuniu executivos e especialistas para discutir acesso a financiamento, precificação de ativos e competitividade internacional.
Os participantes também abordaram gargalos regulatórios, disponibilidade de capital e as vantagens comparativas do Brasil, como potencial geológico e diversidade de recursos minerais.













