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Por Ricardo Lima
A Vale anunciou nesta quinta-feira (9) um acordo para afretar navios transoceânicos movidos a etanol, com entrada em operação prevista a partir de 2029. A iniciativa, em parceria com a Shandong Shipping Corporation, pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo.
O contrato prevê inicialmente a construção de dois navios do tipo Guaibamax, com opção de expansão, em um modelo de afretamento de longo prazo, estimado em 25 anos. As embarcações terão capacidade para 325 mil toneladas e devem operar no transporte de minério de ferro.
Segundo a empresa, trata-se da primeira adoção do etanol como combustível principal em navios transoceânicos, o que representa um marco para a indústria marítima global, tradicionalmente dependente de óleo combustível pesado.
Os novos navios serão equipados com tecnologia “triple fuel”, podendo operar com etanol, metanol ou óleo pesado. O projeto também prevê possibilidade de adaptação futura para combustíveis como gás natural liquefeito (GNL) e amônia.
Além disso, as embarcações contarão com cinco velas rotativas, uma tecnologia que aproveita a energia eólica para reduzir o consumo de combustível, além de outros recursos de eficiência energética, como motores mais eficientes e melhorias hidrodinâmicas. A expectativa é que essas inovações reduzam em cerca de 15% as emissões em comparação com a geração atual de Guaibamax.
De acordo com Rodrigo Bermelho, diretor de navegação da Vale, a iniciativa combina diferentes soluções para acelerar a transição energética no setor marítimo.
“A utilização do etanol como combustível nos navios que transportam o nosso minério, aliada à adoção de velas rotativas, permite que a Vale esteja em uma posição única para a transição energética no transporte marítimo global nas próximas décadas ao mesmo tempo em que impulsionam iniciativas semelhantes no setor”, afirmou.
Meta de descarbonização
A adoção do etanol integra uma estratégia mais ampla da mineradora para reduzir emissões em sua cadeia de valor, especialmente no chamado Escopo 3, que inclui atividades como transporte marítimo.
Considerando todo o ciclo do combustível, do poço ao uso final, o etanol de segunda geração pode alcançar redução de até 90% nas emissões em comparação ao óleo pesado.
A iniciativa também se conecta ao programa Ecoshipping, voltado ao desenvolvimento de soluções para tornar a frota mais eficiente e menos poluente. A empresa já opera navios considerados entre os mais eficientes do mundo, com redução de até 41% nas emissões em relação a embarcações padrão.
Desde 2020, a Vale afirma ter investido cerca de R$ 7,4 bilhões em ações de descarbonização e mantém a meta de reduzir em 15% as emissões do Escopo 3 até 2035.











