Por Redação
A Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA) aprovou nesta terça-feira (13) a emissão da Licença Ambiental Integrada (LAI) para a implantação do Porto do Meio, terminal de minério de ferro que será construído pela Cedro Participações no Porto de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Com investimento estimado em R$ 3,6 bilhões, o empreendimento deverá criar até 3 mil empregos diretos e indiretos durante o pico das obras.
A aprovação representa uma etapa decisiva para o avanço do projeto, ao atestar sua viabilidade ambiental e permitir que a companhia prossiga com as próximas fases de implantação. Nesta etapa inicial, a licença contempla a movimentação de menos de 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
A Cedro venceu, em dezembro de 2024, o leilão federal da área ITG02 e firmou contrato de arrendamento por 35 anos, renovável por igual período. O terminal integra a estratégia de expansão da companhia nos setores mineral e portuário, com o objetivo de ampliar a capacidade de exportação e reduzir a dependência de estruturas logísticas de terceiros.
“Este projeto é fruto da nossa visão para os próximos anos nos setores portuário e mineral no Brasil. Temos metas de ampliar a produção de minério, e o terminal é vital para o nosso plano de crescimento até o início da próxima década, ao conferir à Cedro independência para a exportação do minério de ferro”, afirma José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações.

Esquema da estrutura. Foto: Cedro Participações.
Infraestrutura e conexão ferroviária
Com aproximadamente 250 mil metros quadrados, o Porto do Meio será instalado entre os terminais da Vale e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Itaguaí — localização que inspirou o nome do empreendimento. A estrutura contará com pátio de estocagem e berço de atracação para navios, com profundidade de até 20 metros.
O terminal será conectado à malha ferroviária da MRS Logística, que liga o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, ao litoral fluminense. A integração deverá criar um novo corredor para o transporte e o escoamento de minério de ferro, conectando áreas produtoras a uma das principais regiões portuárias do país.
As obras têm duração prevista de três anos e incluem serviços de construção civil, dragagem, fornecimento e instalação de equipamentos portuários e montagem eletromecânica. No período de maior atividade, a expectativa é gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos. Após o início das operações, o terminal deverá contar com 256 funcionários diretos.
A companhia também estima que o empreendimento gere R$ 1,2 bilhão em tributos municipais, embora o prazo considerado para essa projeção não tenha sido detalhado.
Acesso para outras mineradoras
Embora tenha sido dimensionado para atender à produção da Cedro, o Porto do Meio também poderá receber cargas de outras empresas. A proposta é ampliar o acesso à infraestrutura de exportação para mineradoras de médio porte que atualmente dependem de terminais operados por grandes grupos ou de tradings para escoar sua produção por Itaguaí.
A disponibilidade de uma alternativa logística poderá ampliar as opções comerciais dessas empresas, com possibilidade de contratos de longo prazo, maior previsibilidade operacional e custos competitivos de transporte. A proximidade com o Quadrilátero Ferrífero e a conexão ferroviária estão entre os fatores que devem favorecer a competitividade do terminal.
Com a aprovação ambiental, o projeto avança em direção à implantação de uma nova estrutura portuária voltada à exportação de minério de ferro, com potencial para ampliar a capacidade logística do corredor entre Minas Gerais e o litoral do Rio de Janeiro.













