Por Redação
A mineração paraense registrou crescimento nas exportações, na arrecadação de royalties e na geração de empregos no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as vendas externas de produtos minerais alcançaram US$ 8,67 bilhões, alta de 23,5% em comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho superou o crescimento de aproximadamente 18% das exportações totais do Pará e consolidou a participação do setor em 66,7% das vendas internacionais do estado.
Os dados integram o Panorama da Mineração do Estado do Pará – 1º Semestre de 2026, divulgado pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (SIMINERAL), com base em informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério do Trabalho e Emprego. No cenário nacional, o Pará respondeu por 34,6% das exportações brasileiras de produtos minerais no período.
Para Emerson Rocha, presidente executivo do SIMINERAL, os resultados evidenciam a relevância da atividade para a economia estadual. Segundo ele, a mineração contribui para a geração de empregos, o fortalecimento de empresas fornecedoras e o aumento da arrecadação pública, além de ampliar a presença do estado no mercado internacional.
Cobre impulsiona o crescimento das exportações
O minério de cobre e seus concentrados estiveram entre os principais destaques do semestre. As exportações do produto somaram US$ 2,68 bilhões, crescimento de 75,3% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
O avanço foi resultado da combinação entre o aumento de 20,3% no volume exportado e a valorização de 45,7% no preço médio do mineral. O desempenho reforça a posição estratégica do Pará no mercado de cobre, matéria-prima essencial para a indústria, a fabricação de equipamentos elétricos e o desenvolvimento de tecnologias associadas à transição energética.
A participação paraense também se destaca no cenário nacional: 99,77% das exportações brasileiras de minério de cobre e concentrados tiveram origem no estado durante o período analisado.
Minério de ferro mantém liderança
Apesar do crescimento expressivo do cobre, o minério de ferro permaneceu como principal produto mineral exportado pelo Pará, representando 58,9% das vendas externas do setor no primeiro semestre de 2026.
O estado respondeu por 43,1% das exportações brasileiras de minério de ferro não aglomerado, ficando atrás apenas de Minas Gerais, responsável por 45,5%. Embora o volume exportado pelo Pará tenha recuado 2,3%, a elevação de 5,8% no preço médio contribuiu para um aumento de 3,4% no valor das vendas.
O minério de ferro também manteve participação predominante na arrecadação dos royalties da mineração, respondendo por 68,7% do total registrado no estado.
Royalties da mineração chegam a R$ 1,49 bilhão
A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como royalties da mineração, alcançou R$ 1,49 bilhão entre janeiro e junho. O montante representa crescimento de 3,7% em relação ao primeiro semestre de 2025, com acréscimo de R$ 53,1 milhões.
A arrecadação relacionada ao cobre apresentou alta de 45,8%, totalizando R$ 325,9 milhões. Em contrapartida, os valores provenientes do minério de ferro recuaram 5%.
Entre os municípios paraenses, Canaã dos Carajás liderou a arrecadação da CFEM, com R$ 660,4 milhões. Na sequência aparecem Parauapebas, com R$ 384,6 milhões, e Marabá, com R$ 227,2 milhões. Juntos, os três municípios concentraram 85,2% dos recursos arrecadados no estado.
Os valores da CFEM são destinados ao poder público e podem contribuir para investimentos em infraestrutura, saúde, educação e outros serviços, conforme as regras legais de aplicação dos recursos.
Setor registra saldo positivo de empregos
O mercado de trabalho também apresentou resultados positivos no primeiro semestre. A indústria extrativa mineral contabilizou 3.057 admissões e 2.097 desligamentos entre janeiro e junho, resultando na criação líquida de 960 empregos formais. O saldo foi 61,6% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.
Ao final de junho, o setor empregava 30.238 trabalhadores com carteira assinada no Pará.
O impacto econômico da atividade, entretanto, ultrapassa os postos de trabalho diretamente vinculados às empresas mineradoras. Estimativas setoriais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) apontam que cada emprego direto na mineração pode movimentar cerca de dez postos adicionais ao longo da cadeia produtiva, incluindo atividades de transporte, comércio, alimentação, manutenção, construção civil e prestação de serviços.
Esse efeito amplia a circulação de renda e cria oportunidades para empresas de diferentes portes, inclusive em municípios que não abrigam diretamente as operações de extração mineral.
Pará lidera produção nacional de minerais estratégicos
O panorama divulgado pelo SIMINERAL também apresenta dados consolidados da produção mineral brasileira de 2025, último ano com informações disponíveis no levantamento.
De acordo com o relatório, o Pará respondeu por 92,7% da produção beneficiada de bauxita no país, mineral utilizado principalmente na fabricação de alumínio. O estado também concentrou 75% da produção nacional de caulim, empregado nas indústrias de papel e cerâmica, e 73,5% da produção de cobre.
A participação paraense alcançou ainda 58,4% da produção brasileira de manganês e 36,9% da produção de minério de ferro. Os números reforçam a importância do estado no fornecimento de matérias-primas para diferentes segmentos industriais, tanto no mercado nacional quanto no internacional.
China concentra quase metade das exportações minerais
A distribuição das vendas externas revela a concentração das exportações em poucos produtos e mercados. Segundo o levantamento, três produtos minerais responderam por 94,3% das exportações do setor no Pará, enquanto a China foi o principal destino das vendas, com participação de 46,6% do total.
Na arrecadação da CFEM, a concentração também foi expressiva: três municípios reuniram 85,2% dos recursos registrados no estado durante o primeiro semestre.
Para Emerson Rocha, os resultados demonstram a importância de fortalecer as oportunidades econômicas associadas à atividade mineral. O presidente executivo do SIMINERAL destaca que, além da geração de empregos e receitas públicas, o setor movimenta o comércio, contrata serviços e amplia o mercado para fornecedores locais.
O dirigente também ressalta a importância da cooperação entre empresas, governos e sociedade para ampliar os benefícios econômicos da mineração e estimular o desenvolvimento das regiões onde a atividade está presente.
O relatório completo do Panorama da Mineração do Estado do Pará – 1º Semestre de 2026 está disponível no site do SIMINERAL: https://www.simineral.org.br/panorama-da-mineracao.














