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Por Ricardo Lima
Após dez anos sem a realização de levantamentos aerogeofísicos no país, o Brasil iniciou uma nova etapa de mapeamento do subsolo com tecnologias avançadas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) deu início ao Projeto Aerogeofísico Sudeste do Tocantins, que prevê voos sobre 20 municípios do estado e investimento de aproximadamente R$ 10 milhões. A preparação para a retomada dos levantamentos foi anunciada em outubro de 2025.
A iniciativa integra o Plano Decenal de Mapeamento Geológico Básico (PlanGeo) e é financiada pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), com expectativa de ampliar o conhecimento geológico da região e estimular o desenvolvimento econômico e sustentável.
“Esse é um marco para o Brasil. Nosso papel enquanto instituição referência na geração de conhecimento geocientífico é apoiar o país com ciência de qualidade. Com esse projeto, vamos impulsionar o desenvolvimento regional sustentável e movimentar toda a cadeia produtiva do setor mineral, gerando impactos diretamente na vida das pessoas”, afirma a diretora-presidente interina do SGB, Sabrina Góis.
Retomada estratégica dos aerolevantamentos
Os primeiros voos da terceira geração do programa abrangem cerca de 20 mil quilômetros quadrados no sudeste do Tocantins. A área inclui os municípios de Almas, Arraias, Aurora do Tocantins, Chapada da Natividade, Combinado, Conceição do Tocantins, Dianópolis, Lavandeira, Natividade, Novo Alegre, Novo Jardim, Paranã, Pindorama do Tocantins, Ponte Alta do Bom Jesus, Ponte Alta do Tocantins, Porto Alegre do Tocantins, São Valério, Silvanópolis, Taguatinga e Taipas do Tocantins.
Os levantamentos são realizados pela empresa Lasa Prospecções (Xcalibur Smart Mapping), vencedora da licitação. Segundo o SGB, o projeto ocorre em um momento estratégico para o país, diante da crescente demanda global por minerais críticos utilizados na transição energética, na segurança alimentar e na indústria de alta tecnologia.
De acordo com o diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Valdir Silveira, a retomada dos aerolevantamentos permitirá identificar áreas de elevado potencial mineral.
“Os levantamentos iniciam em um momento oportuno, em que o potencial geológico brasileiro coloca o país em papel de destaque no cenário internacional devido a alta demanda por minerais críticos para a transição energética, a segurança alimentar e a indústria de alta tecnologia”, disse Silveira
Os levantamentos permitem mapear o subsolo de forma detalhada, rápida e não invasiva, representando uma ferramenta de alto custo-benefício. A coleta de dados em alta resolução deve ampliar significativamente o conhecimento geológico do Tocantins e contribuir para o planejamento sustentável da exploração de recursos naturais.
Segundo o chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica do SGB, Iago Costa, a geofísica possibilita investigar o subsolo sem perfurações. “É possível obter informações desde os primeiros centímetros até centenas de quilômetros de profundidade, revelando o potencial de uma região para a ocorrência de recursos minerais, energéticos ou hídricos”, explica.
Os dados obtidos começarão a ser divulgados no primeiro semestre de 2026. A expectativa é que as informações atraiam investimentos, incentivem novas pesquisas e gerem empregos e renda, fortalecendo o setor mineral e ampliando a arrecadação dos municípios envolvidos.
Como funciona o levantamento aerogeofísico
O levantamento aerogeofísico funciona como uma espécie de “fotografia” do solo e do subsolo obtida por equipamentos instalados em aeronaves de pequeno porte. Esses dispositivos captam sinais do campo magnético, da radiação natural e de outras características das rochas, permitindo identificar formações geológicas sem necessidade de escavações.
O projeto no Tocantins utiliza três métodos principais: a magnetometria, que analisa o campo magnético terrestre; a gamaespectrometria, responsável por medir a radiação natural das rochas; e a gravimetria strapdown, que avalia o campo gravitacional.
O Serviço Geológico do Brasil já realizou três fases de levantamentos aerogeofísicos no país. A primeira geração, entre 1971 e 2001, foi marcada por levantamentos regionais com equipamentos iniciais e baixa resolução, responsáveis pelos primeiros avanços no entendimento do subsolo brasileiro. A segunda geração, realizada entre 2004 e 2015, cobriu cerca de 3,7 milhões de km², o que corresponde a 51% do território nacional, com metodologias mais modernas, como magnetometria e gamaespectrometria, e investimento de aproximadamente US$ 183 milhões. Já a terceira geração, iniciada em 2025, utiliza métodos de ultra-resolução e tecnologias avançadas, posicionando o Brasil entre os principais países com tradição mineral, como Canadá e Austrália.

Arte: Serviço Geológico do Brasil / Divulgação.













