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Por Ricardo Lima
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Petrobras firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para revisar e atualizar a carta estratigráfica da Bacia do Marajó, no Pará. O projeto, que contará com investimento de R$ 2,8 milhões da Petrobras, busca ampliar o conhecimento sobre o potencial petrolífero, mineral e hídrico da região.
Com prazo de execução de 18 meses, a iniciativa pretende consolidar dados existentes e preencher lacunas geológicas, especialmente na chamada seção rifte, considerada estratégica para a compreensão dos sistemas petrolíferos da bacia.
Localizada na confluência dos rios Amazonas e Tocantins, a Bacia do Marajó ocupa cerca de 53 mil km² e é considerada uma área promissora para o armazenamento de petróleo. Situada entre as bacias do Amazonas e do Parnaíba, a região tem relevância crescente nos estudos sobre recursos energéticos no país.
Segundo o diretor-presidente do SGB, Vilmar Medeiros Simões, a cooperação entre as instituições deve fortalecer a produção de dados técnicos e subsidiar decisões estratégicas.
“Essa parceria […] fortalece a produção de informações técnicas qualificadas, que contribuem para o planejamento e para a tomada de decisão sobre o uso sustentável dos recursos naturais”
Vilmar Medeiros Simões – Serviço Geológico do Brasil
Ele acrescentou que a iniciativa também reforça o papel do órgão na geração de informações voltadas ao interesse público e ao desenvolvimento nacional.
As pesquisas serão conduzidas por uma equipe multidisciplinar com 21 especialistas, sendo 15 do SGB e seis vinculados a universidades brasileiras. O projeto prevê o uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial para mapeamento de sismofácies, além de métodos de geocronologia e termocronologia que permitem analisar a evolução térmica da bacia e a geração de hidrocarbonetos.
Para a chefe da Divisão de Bacias Sedimentares do SGB, Cleide Moura, os estudos têm impacto científico mais amplo. “A Bacia do Marajó é um elo de conexão entre o interior continental e as bacias marginais oceânicas”, afirmou. Segundo a pesquisadora, ocupando extensas áreas do Pará, a bacia está inserida em um arcabouço tectônico complexo e registra fases fundamentais da evolução geodinâmica associada à abertura do Oceano Atlântico Equatorial. “Constituindo elemento-chave para a compreensão da evolução da margem norte da América do Sul”, finaliza.
A atualização da carta estratigráfica, documento que organiza as camadas geológicas em escala de tempo, deve contribuir para integrar informações sobre o preenchimento sedimentar da bacia, facilitando análises comparativas e futuras explorações.
Além do SGB, participam do projeto pesquisadores de instituições como a Universidade Federal do Pará, Universidade de São Paulo e Universidade de Brasília, entre outras universidades federais.












