Por Redação
A australiana PLS Group (ASX: PLS) aprovou a decisão final de investimento no projeto de expansão P2000, orçado em A$ 1,9 bilhão (US$ 1,31 bilhão), na operação de lítio em rocha dura de Pilgangoora, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental. O empreendimento representa o maior investimento já aprovado pela companhia.
A expansão elevará a capacidade anual de produção de concentrado de espodumênio para aproximadamente 2 milhões de toneladas a partir de 2029, com a construção da nova planta de beneficiamento Jimmagunya. O início da produção está previsto para o terceiro trimestre de 2029, seguido por um período de aproximadamente seis meses de ramp-up até a capacidade plena.
O projeto é a próxima etapa de crescimento de Pilgangoora, após as expansões P680 e P1000, e foi viabilizado por avanços tecnológicos e estudos metalúrgicos que permitem aproveitar uma parcela maior do corpo mineralizado, reduzindo a movimentação de estéril e os custos operacionais.
Segundo a PLS, cerca de 67 milhões de toneladas de material mineralizado anteriormente classificado como estéril poderão ser recuperadas economicamente como minério. A atualização das reservas também contribuiu para um aumento de 23% nas toneladas de minério reportadas e de 31% no lítio contido, em comparação com os números apresentados no relatório anual de 2026.
A nova unidade Jimmagunya será construída ao lado da planta existente de Pilgan e contará com capacidade de processamento de 9 milhões de toneladas anuais na etapa a seco e 6,3 milhões de toneladas por ano na etapa úmida. O empreendimento será a terceira grande instalação de beneficiamento da operação.
A companhia projeta produção média de aproximadamente 1,97 milhão de toneladas anuais de concentrado de espodumênio com teor de 5,2% de Li₂O nos primeiros dez anos de operação em regime estável. Ao mesmo tempo, estima reduzir os custos operacionais médios para cerca de A$ 620 por tonelada (US$ 429/t), na modalidade FOB, em valores reais.
O estudo de viabilidade prevê valor presente líquido incremental após impostos de A$ 2,7 bilhões (US$ 1,87 bilhão), considerando taxa de desconto real de 8%, e taxa interna de retorno de 29,5%. Os cálculos utilizam como premissa um preço de longo prazo de US$ 1.620 por tonelada para o concentrado de espodumênio com teor de 6% de Li₂O, na condição CIF China.
O CEO da PLS, Dale Henderson, ressaltou que o aumento da escala virá acompanhado de uma posição de custos mais competitiva. “Em um mercado cíclico, a escala é importante, mas a posição de custos é ainda mais. O P2000 oferece os dois benefícios, com uma produção significativamente maior e custos unitários menores, fortalecendo a posição de Pilgangoora na curva global de custos e tornando o negócio mais resiliente ao longo dos ciclos do mercado de lítio”, declarou.
O projeto deverá gerar mais de mil empregos durante a construção e aproximadamente 500 postos de trabalho permanentes. A implantação deve durar cerca de dois anos e meio, com atividades iniciais de preparação da área já em andamento.
Além do investimento no P2000, a companhia prevê aplicar entre A$ 600 milhões e A$ 650 milhões (US$ 415 milhões a US$ 450 milhões) em infraestrutura de apoio, incluindo melhorias rodoviárias, instalações de manutenção e um novo alojamento permanente para trabalhadores.
O financiamento do projeto será sustentado pelo caixa existente e pelo fluxo de caixa operacional. Em 30 de junho de 2026, a PLS registrava saldo de caixa de A$ 2,3 bilhões (US$ 1,59 bilhão).
A expansão também prevê a adoção de um sistema de filtragem e empilhamento a seco de rejeitos, que, combinado a outras medidas de eficiência hídrica, poderá reduzir em até 40% a intensidade do consumo de água por tonelada de produto.
Paralelamente, a PLS concluiu um estudo de pré-viabilidade para avaliar a possibilidade de desenvolver mineração subterrânea em Pilgangoora. A combinação de lavra a céu aberto e subterrânea poderá elevar a produção média para aproximadamente 2,2 milhões de toneladas anuais e estender a vida operacional para mais de 25 anos.
O desenvolvimento subterrâneo, contudo, não faz parte do investimento aprovado para o P2000 e dependerá de estudos adicionais, de uma decisão de investimento específica e das condições de mercado.














