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Por Ricardo Lima
O Bradesco BBI reuniu líderes de mineração e siderurgia no Metals & Mining Day para discutir estratégias, alocação de capital e perspectivas para o setor em um ambiente global mais volátil e desafiador. Os executivos destacaram a adaptação das companhias a ciclos mais complexos, com foco em eficiência, competitividade e captura de oportunidades ligadas à transição energética e aos metais críticos.
Com moderação de Rafael Barcellos, head de Equity Research para metals & mining, pulp & paper na América Latina, o encontro abordou os segmentos de aço, minério de ferro, cobre e ouro, com foco em temas como custos e execução de projetos, além de estratégias para captura de valor em um ambiente de maior complexidade.
A Vale destacou a importância de manter a competitividade em diferentes cenários macroeconômicos. Segundo Marcelo Bacci, vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da companhia, a estratégia se baseia em “rigorosa disciplina de capital e foco na geração de retorno ao acionista
O executivo ressaltou ainda o portfólio de alta qualidade da companhia e as oportunidades em metais básicos, por meio da subsidiária Vale Base Metals, como pilares centrais para sustentar o posicionamento da empresa no longo prazo.
A Cedro Mineração apontou para um mercado global mais equilibrado, cenário atribuído à “demanda resiliente e crescimento limitado da oferta”, que segundo o CEO José Martins, o movimento também reflete o papel crescente de mineradoras independentes, além de desafios logísticos e de custo que seguem impactando a competitividade, especialmente no Brasil.

Metals & Mining Day reuniu executivos das principais mineradoras do país. Foto: Bradesco BBI.
No segmento do aço, a Gerdau trouxe evidências concretas de desempenho, com destaque para o mercado da América do Norte. De acordo com Rafael Japur, CFO da companhia, a demanda segue sólida, com carteira de pedidos acima de três meses e “margens podendo superar 23% no primeiro semestre”. O executivo destacou o bom momento dos setores de infraestrutura e energia, além da estratégia de ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado como forma de sustentar a rentabilidade.
Reforçando a visão construtiva para o setor, a Ero Copper apresentou uma leitura positiva para o mercado de cobre no médio e longo prazo. O CEO Makko DeFilippo ponderou que, apesar da volatilidade no curto prazo, “seguimos extremamente construtivos quanto aos fundamentos de longo prazo do cobre, sustentados por demanda resiliente e crescimento restrito da oferta”.
Segundo o executivo, a combinação entre tecnologia, transição energética e limitações na expansão da oferta tende a favorecer a dinâmica de preços.
Execução de projetos e o papel global do ouro
Já a CSN Mineração destacou o avanço de projetos como vetor relevante de geração de valor. O CFO Pedro Oliva afirmou que o projeto P-15 é “transformacional”, com potencial de gerar prêmio de qualidade relevante e incremento significativo de EBITDA. Ele reforçou ainda o compromisso da companhia com crescimento aliado à disciplina financeira e à manutenção de uma política consistente de dividendos, mesmo em um ciclo de expansão.
A Aura Minerals, por sua vez, trouxe uma leitura mais ampla sobre o papel do ouro em cenários de incerteza. Para o CEO Rodrigo Barbosa, momentos de estresse tendem a ser positivos para o metal, embora, em situações de pânico, haja migração de fluxo para o dólar. Ainda assim, fatores estruturais como o déficit fiscal dos Estados Unidos, pressões inflacionárias e movimentos estratégicos da China sustentam uma perspectiva favorável para o ouro no longo prazo.














