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Por Ricardo Lima
A indústria da mineração brasileira encerrou 2025 com faturamento de R$ 298,8 bilhões, crescimento de 10,3% na comparação com 2024, quando o setor havia registrado R$ 270,8 bilhões, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Os números foram apresentados durante entrevista coletiva online à imprensa, realizada em 3 de fevereiro de 2026, conduzida pelo vice-presidente do IBRAM, Fernando Azevedo, e pelo diretor de Assuntos Minerários, Julio Nery
Além do avanço no faturamento, o setor respondeu por 55% do saldo da balança comercial brasileira em 2025 e projeta US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, impulsionados principalmente por minerais críticos e estratégicos.
Faturamento e desempenho regional
Do total faturado em 2025, o minério de ferro respondeu por R$ 157,2 bilhões, o equivalente a 52,6% da receita do setor. Apesar da liderança, a substância registrou queda de 2,2% no valor faturado em relação ao ano anterior. Segundo o IBRAM, a cotação global do minério de ferro caiu 6,6% em 2025, encerrando o ano a US$ 102,16 por tonelada.
Em termos regionais, Minas Gerais, Pará e Bahia concentraram a maior parte da receita da mineração no país, com participações de 39,9%, 34,5% e 4,5%, respectivamente, confirmando a forte concentração geográfica da atividade mineral.
“Os resultados apurados pelo IBRAM evidenciam uma indústria com desempenho econômico robusto, forte inserção no comércio exterior e ampliação do ciclo de investimentos, em especial em minerais considerados estratégicos para o futuro da economia”, afirmou Fernando Azevedo.
Segundo o vice-presidente do Instituto, o atual cenário geopolítico global tem ampliado o interesse internacional por minerais críticos, considerados essenciais para projetos ligados à energia limpa, à transição energética e às novas tecnologias.
Investimentos ganham força até 2030
As perspectivas para os próximos anos indicam expansão do ciclo de investimentos na mineração. A estimativa do IBRAM para o período de 2026 a 2030 é de US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao previsto no ciclo anterior.
Os minerais críticos e estratégicos concentram parte significativa desses aportes. A previsão de investimentos nessas substâncias chega a US$ 21,3 bilhões até 2030, crescimento de 15,2% em relação à projeção anterior, refletindo o alinhamento do setor às demandas globais de transição energética e reindustrialização.
Anteriormente, o valor total estimado de investimentos em mineração para o período 2025–2029 era de US$ 68,4 bilhões, destaca o IBRAM.
Arrecadação e emprego
A arrecadação de impostos e tributos pelo setor mineral alcançou R$ 103,1 bilhões em 2025, alta de 10,3% em relação ao ano anterior. A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) somou R$ 7,9 bilhões, com crescimento de 6,2%.
Minas Gerais foi responsável por 45% do recolhimento da CFEM, seguido pelo Pará, com 39%, evidenciando a concentração regional da atividade mineral. Em termos de substâncias, o minério de ferro respondeu por 69,1% da arrecadação da CFEM no período.
No mercado de trabalho, a indústria extrativa mineral, excluídos petróleo e gás, registrou 229.312 empregos diretos em novembro de 2025. Entre janeiro e novembro, o setor criou 8.330 novas vagas formais.
Comércio exterior impulsiona resultados
No comércio exterior, o setor mineral exportou cerca de 431 milhões de toneladas de produtos em 2025, crescimento de 7,1% em volume. As exportações geraram receitas de aproximadamente US$ 46 bilhões, avanço de 6,2% em dólares frente a 2024. O minério de ferro respondeu por 62,8% do total exportado.
As importações de produtos minerais somaram US$ 8,5 bilhões, com leve alta de 0,1% em valor e queda de 1,3% no volume importado, indicando menor dependência externa de alguns insumos estratégicos.
Com isso, o saldo da balança comercial mineral alcançou US$ 37,6 bilhões, o que representou 55% do saldo total da balança comercial brasileira, que fechou o ano em US$ 68,3 bilhões. Em 2024, essa participação havia sido de 47%.
“Nós reconhecemos que o grande contribuinte para a grande balança comercial brasileira é o setor do agronegócio. Mas a gente vê também que a produção mineral está com uma participação importante, principalmente por causa do saldo positivo nessa balança.”, disse Júlio Nery, diretor de assuntos minerários do IBRAM.












