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Por Ricardo Lima
A canadense Lipari Mining registrou aumento expressivo na produção e nas vendas de diamantes no ano fiscal de 2025 na mina de Braúna, localizada na Bahia, mas anunciou a suspensão das operações no Brasil em razão do enfraquecimento do mercado global de diamantes naturais. Apesar de uma receita anual superior a US$ 21 milhões, a empresa afirma que a queda nos preços no último trimestre e os impactos de tarifas internacionais tornaram a continuidade das operações economicamente inviável no curto prazo.
De acordo com o relatório financeiro divulgado pela companhia, a mina de Braúna produziu 83.350 quilates de diamantes em 2025, quase o dobro do volume registrado no ano anterior. As vendas totalizaram 104.508 quilates, gerando uma receita de US$ 21,8 milhões, com preço médio de US$ 209 por quilate.
O desempenho anual, no entanto, foi comprometido no último trimestre. Em dezembro de 2025, a última venda realizada pela empresa atingiu um valor médio de US$ 179 por quilate, bem abaixo do registrado em setembro e inferior à média histórica da mina.
Segundo a Lipari, além da retração do mercado, a produção também foi afetada pela redução no teor de diamantes recuperados, consequência da maior diluição do minério com rocha estéril nas operações subterrâneas.
“O declínio da receita nos últimos três trimestres de 2025 reflete o impacto global que as tarifas impostas pelos Estados Unidos tiveram sobre a indústria de diamantes naturais”, afirmou Ken Johnson, presidente e CEO da Lipari Mining.
Suspensão da mina de Braúna
Diante desse cenário, a empresa decidiu suspender temporariamente as operações da mina de Braúna, que foi colocada em regime de care and maintenance, até que haja melhora nas condições de mercado e a definição de um novo plano de lavra.
A companhia informou que está trabalhando em conjunto com empregados, autoridades e a comunidade local para reduzir os impactos sociais da paralisação e garantir o cumprimento de todas as exigências regulatórias.
“Continuamos comprometidos com nossa mina, nossos colaboradores e a comunidade local. Vamos monitorar de perto o mercado global e avaliar medidas de otimização que permitam uma retomada futura”
Foco estratégico em Angola
Com a suspensão no Brasil, a Lipari anunciou que irá direcionar seu capital e sua equipe técnica para o Projeto de Diamantes Tchitengo, no nordeste de Angola, no qual detém participação de 75%. O projeto é considerado o principal ativo da companhia no momento.
Em maio de 2025, a empresa divulgou uma estimativa de recursos minerais em conformidade com a norma NI 43-101 para o kimberlito Tchiuzo, indicando um recurso confirming de 28,8 milhões de toneladas com 13,6 milhões de quilates.
Já em dezembro, a Lipari anunciou o envio de uma planta de processamento de kimberlito do Canadá para Angola, com capacidade de cinco toneladas por hora. O objetivo é processar cerca de 10 mil toneladas de minério para formar um lote de diamantes que permita avaliar o valor de mercado do projeto e atualizar estudos de viabilidade realizados anteriormente.













