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Por Ricardo Lima
O Governo de Goiás e a Universidade Federal de Goiás (UFG) firmaram, na quinta-feira (5), um acordo para a criação de um Centro de Ciências e Tecnologia Mineral. O instituto será instalado na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UFG), no Câmpus Aparecida de Goiânia, e contará com investimento previsto de R$ 28 milhões.
A iniciativa reúne o Governo de Goiás, a UFG, a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). O documento foi assinado pelo secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Sant’Anna, e pela reitora da UFG, Sandramara Matias.
O novo centro terá atuação em diferentes frentes, com foco no desenvolvimento de pesquisas em processamento de minerais, especialmente Terras Raras e remineralizadores de solo, além da oferta de cursos e capacitações voltados à formação de especialistas.
Para o secretário Joel Sant’Anna, a criação do centro sintetiza a estratégia adotada pelo governo estadual. “O Governo de Goiás […] tem realizado um trabalho estruturado para valorizar o setor mineral no estado, alinhando segurança jurídica, incentivos aos investidores, respeito ao meio ambiente e investimento em pesquisa, ciência e tecnologia”, afirmou.
“A criação desse centro é fundamental para que Goiás avance […] na possibilidade de verticalização das Terras Raras no estado. Assim, poderemos, no futuro, não apenas exportar o minério, mas também desenvolver tecnologias a partir desses minerais já processados“
Joel Sant’Anna – Secretário de Indústria, Comércio e Serviços.
Pesquisa mineral em meio à descoberta de Terras Raras
A criação do centro ocorre em um momento estratégico do cenário geopolítico global, em que Goiás desponta como uma das principais fronteiras de descobertas de Terras Raras no país. O estado abriga alguns dos projetos mais avançados do Brasil na exploração desses minerais, considerados essenciais para a transição energética.
O centro tecnológico terá como objetivo o desenvolvimento completo de pesquisa e inovação em áreas como agrominerais, minerais para a construção civil, gemas e minerais estratégicos ligados tanto à transição energética quanto à segurança alimentar.
Segundo o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, a iniciativa dá continuidade às diretrizes já estabelecidas para o setor mineral no estado. “Esse novo passo é uma continuidade do Plano Estadual de Recursos Minerais (PERM), que busca apontar soluções para a geologia, mineração e transformação mineral em Goiás pelos próximos 20 anos”, afirmou Joel Sant’Anna.
Goiás concentra importantes reservas de Terras Raras em regiões como Minaçu, Nova Roma e Iporá. Entre os projetos em destaque está a Serra Verde, localizada em Minaçu, atualmente a única operação comercial de Terras Raras em atividade no Brasil e uma das poucas fora da Ásia a produzir e exportar elementos pesados desses minerais.
Outro empreendimento em estágio avançado é o Projeto Carina, da multinacional peruana Aclara Resources, em fase de implantação em Nova Roma, com investimento estimado em R$ 2,8 bilhões. Também atua no estado a multinacional canadense Appia, que desenvolve pesquisas sobre Terras Raras em Iporá e municípios do entorno.
Articulação entre setor público e ciência
A superintendente de Mineração da SIC, Lívia Parreira, avaliou a assinatura do acordo como um marco para o setor mineral goiano e brasileiro. “O trabalho que estamos realizando terá repercussão nacional e ajudará o setor mineral brasileiro em seu desenvolvimento”, disse.
Ela ressaltou a importância da articulação institucional no contexto atual. “A parceria entre ciência e governo é essencial para avançarmos, principalmente no desenvolvimento dos minerais críticos, tão importantes para o contexto global atual”, afirmou. Segundo Lívia Parreira, o centro terá papel relevante na execução de pesquisas que envolvem caracterização mineralógica, química e tecnológica, além de ações ambientais e da oferta de cursos de especialização e formação profissional.
De acordo com a reitora da UFG, Sandramara Matias, a Faculdade de Ciências e Tecnologia foi escolhida para conduzir o centro por seu perfil multidisciplinar e por abrigar o curso de Geologia.
“A UFG tem um potencial enorme de contribuir para o desenvolvimento da sociedade por meio da pesquisa e da ciência, e esse acordo com o governo estadual demonstra a força e a importância da universidade”, afirmou. Para ela, “o novo centro de pesquisa em minerais ajudará o estado de Goiás a se destacar nacionalmente na produção e no desenvolvimento de novas tecnologias”.
Além do incentivo à pesquisa, a inclusão do setor mineral no ProGoiás, programa estadual de estímulos fiscais, ampliou a competitividade do estado para o processamento, a industrialização e a transformação local da riqueza mineral, reduzindo a dependência do modelo baseado apenas na extração e no envio de matéria-prima bruta.















