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Por Redação
A De Beers, conglomerado global de mineração e comercialização de diamantes, anunciou na segunda-feira (19) a redução dos preços das gemas pela primeira vez desde o fim de 2024, sinalizando o agravamento da crise enfrentada pela indústria.
O movimento ocorre após a desaceleração dos gastos com produtos de luxo na China, o crescimento da popularidade dos diamantes sintéticos e os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a Índia, principal polo mundial de lapidação e exportação.
A redução de preços acontece depois de meses de tentativa da empresa de evitar um ajuste oficial. Segundo a Bloomberg, a De Beers vinha realizando vendas privadas com descontos de cerca de 25% em determinadas categorias de gemas, como forma de escoar estoques sem provocar impacto direto nos preços de referência.
Detentora de aproximadamente 33% do market share global de comercialização de diamantes, a De Beers tradicionalmente evita cortes de preços, já que qualquer movimento da companhia tende a influenciar todo o setor. Ainda de acordo com a Bloomberg, a dimensão exata dos cortes anunciados nesta segunda-feira não foi divulgada. A última redução havia ocorrido em dezembro de 2024.
Indústria de diamantes passa por crise
A indústria de diamantes enfrenta uma das crises mais profundas e prolongadas da história recente. A desaceleração do consumo de luxo na China, aliada ao aumento da aceitação de pedras sintéticas, vem reduzindo a demanda global. As tarifas dos Estados Unidos sobre a Índia, o maior exportador de diamantes no mundo, agravaram ainda mais o cenário.
Os efeitos já são sentidos em Botsuana, um dos principais produtores e exportadores globais. No país africano, os diamantes representam uma fonte essencial de receita pública. O Ministério das Finanças alertou que as receitas minerais podem fechar o ano fiscal de 2025-2026 em 10,3 bilhões de pula (US$ 744 milhões), menos da metade da média histórica de 25,3 bilhões de pula.
“A recuperação da receita mineral deve ser prolongada”, afirmou o ministério em documento estratégico divulgado antes da apresentação do orçamento anual. Segundo o governo, a insuficiência de receitas pode persistir no médio e longo prazo, com possibilidade de não haver recuperação significativa.
De acordo com o Ministério das Finanças, a expectativa é que os diamantes brutos sejam vendidos a US$ 99,3 por quilate no fim de 2025, abaixo dos US$ 128,8 registrados em 2024. A queda amplia a pressão sobre as contas públicas do país.
Diante desse cenário, o governo de Botsuana afirma que irá priorizar a restauração da sustentabilidade fiscal por meio de maior disciplina nos gastos. A projeção é de que o déficit orçamentário recue para 3,3% do PIB em 2025/26, ante 4,2% em 2024/25.
Empresa aposta em leilões para reagir à crise
A De Beers agendou 10 leilões públicos de diamantes naturais brutos para 2026, apostando na negociação de preços para reduzir estoques encalhados após a forte recessão do setor; a indústria enfrenta uma de suas piores crises em décadas, com queda estimada de 85% nas vendas globais, pressionada pela rápida ascensão dos diamantes sintéticos, mais baratos, o que levou mineradoras a adiarem leilões em 2024 e 2025, e agora gera expectativa de cortes de preços entre 10% e 20% nos leilões que serão realizados em Gaborone, em Botsuana.
No início do segundo semestre de 2025, o mercado de diamantes chegou a ensaiar uma recuperação. No entanto, em agosto, o então presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de 50% sobre a Índia, responsável por cerca de 90% da lapidação e polimento de diamantes no mundo. Os Estados Unidos, por sua vez, permanecem como o maior mercado consumidor global.
O impacto foi imediato e ocorreu em um momento especialmente delicado para a Anglo American Plc, controladora da De Beers. A mineradora busca se desfazer do negócio de diamantes como parte de uma reestruturação profunda, após ter rejeitado, em 2024, uma oferta de US$ 49 bilhões da BHP Group.
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