Comente, compartilhe e deixe sua opinião nos comentários! Sua participação é essencial para enriquecer o debate
Por Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, devem avançar nesta semana em um acordo de cooperação voltado à mineração e ao processamento de terras raras, em uma tentativa de reduzir, no longo prazo, a dependência global da China no acesso a minerais estratégicos. Os líderes se encontram a partir desta quarta-feira (18) em Nova Déli, capital do país asiático. Informações segundo a Folha de S. Paulo.
A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro de ampliar parcerias econômicas e tecnológicas com o país asiático, incluindo a abertura de novos mercados, discussões sobre regulamentação da inteligência artificial e a assinatura de memorandos de entendimento em áreas como minerais críticos e transição energética.
Brasil e Índia figuram entre os países com as maiores reservas mundiais de terras raras, minerais essenciais para tecnologias ligadas à transição energética, como baterias, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos. Apesar disso, ambos possuem capacidade limitada de mineração e processamento, sendo a estrutura brasileira ainda menos desenvolvida que a indiana.
O acordo bilateral deve ser firmado após a empresa indiana Altmin anunciar investimento de cerca de R$ 220 milhões na Companhia Brasileira de Lítio para exploração de lítio, outro recurso considerado estratégico para a transição energética.
Cooperação estratégica para minerais críticos
Atualmente, a China mantém posição dominante no setor, com cerca de 70% das reservas globais e aproximadamente 90% da capacidade de processamento desses minerais, atividade que envolve etapas tecnológicas de elevada complexidade.
O tema também deve integrar a agenda diplomática brasileira na Coreia do Sul, próximo destino da viagem presidencial, onde Lula se reunirá com o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.
A busca por novas cadeias de fornecimento de minerais críticos ganhou centralidade nas disputas geopolíticas após a China ampliar, em outubro do ano passado, o controle sobre a exportação de produtos que contenham terras raras. A medida exigia autorização do governo chinês para exportação desses itens, independentemente do local de fabricação do produto final.
A decisão, interpretada como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, permaneceu em vigor por cerca de um mês e impactou setores industriais globais, incluindo as indústrias automotiva, de semicondutores, de aviação e militar.
Desde então, líderes internacionais, entre eles o presidente norte-americano Donald Trump, têm buscado acordos de cooperação para diversificar fornecedores e reduzir a dependência do país asiático.
Brasil como potencial protagonista
Segundo o geólogo Maurício Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Minerais Críticos e diretor executivo da Meteoric, o interesse na diversificação da cadeia produtiva é global e pode abrir espaço para maior protagonismo brasileiro.
“O Brasil já tem um acordo muito avançado com a União Europeia em acordos bilaterais e multilaterais para minerais críticos, especificamente terras raras. Está avançando bastante com os Estados Unidos”, afirma. “O entendimento entre Lula e Modi deve focar no processamento de minerais brasileiros.”
A Índia, por sua vez, mantém há anos acordos de cooperação com ao menos oito países ricos em recursos minerais, com foco em transferência de tecnologia e fortalecimento de sua indústria nacional.
Em janeiro, o governo indiano divulgou sua estratégia para o desenvolvimento do setor, que prevê a criação de um corredor industrial dedicado à mineração, processamento, pesquisa e manufatura em cidades com reservas minerais. Para viabilizar o plano, foi aprovado orçamento inicial de cerca de US$ 870 milhões.
A expectativa do país é que a demanda por terras raras em sua indústria dobre até 2030, consolidando o investimento como etapa inicial de expansão do mercado doméstico e de fortalecimento da autonomia produtiva.














