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Por Ricardo Lima
A Aclara Resources anunciou na quinta-feira (19) a inauguração de uma planta piloto de separação de terras raras na universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos. O projeto utilizará como matéria-prima carbonatos de terras raras de alta pureza, com elevada concentração de elementos pesados, provenientes de depósitos de argilas iônicas em Goiás e no Chile, conectando a produção mineral sul-americana à capacidade de processamento norte-americana.
A Aclara Resources possui dois projetos de terras raras na América do Sul, Penco, no Chile, e Carina, em Goiás, e, segundo a empresa, a iniciativa tem como objetivo fortalecer a cadeia de suprimentos de minerais críticos no Ocidente e reduzir a dependência da China, que hoje concentra etapas relevantes da mineração e do processamento desses insumos.
A planta piloto é o primeiro passo para o desenvolvimento da futura unidade industrial da Aclara na Louisiana. O projeto prevê um investimento de cerca de US$ 277 milhões, com apoio do governo estadual por meio de incentivos fiscais e subsídios. A expectativa é que a planta, voltada à produção em escala comercial, entre em operação até meados de 2028, a depender do avanço das etapas de engenharia e da estruturação do financiamento.
Na fase piloto, a instalação já opera de forma contínua e deve iniciar a produção de óxidos leves de terras raras (NdPr) em maio de 2026, seguida pelos óxidos pesados, como disprósio (Dy) e térbio (Tb), a partir de agosto do mesmo ano. Os dados operacionais serão utilizados no desenvolvimento de um “gêmeo digital”, com uso de inteligência artificial, voltado à otimização do processo, em iniciativa que reúne parcerias com o Argonne National Laboratory e conta com apoio de órgãos do governo dos Estados Unidos, como o U.S. Department of Energy e a U.S. International Development Finance Corporation.
Segundo Eduardo Hochschild, chairman da Aclara Resources, o projeto “demonstra que a Aclara pode separar terras raras, incluindo terras raras pesadas sujeitas a restrições da China”, afirma.
Investimento, tecnologia e cadeia de suprimentos
A inauguração da unidade reuniu representantes do governo dos Estados Unidos, além de instituições de pesquisa e parceiros industriais, em um movimento que reforça a prioridade estratégica atribuída ao desenvolvimento de capacidades domésticas de processamento de minerais críticos.
A U.S. International Development Finance Corporation (DFC), instituição financeira do governo dos EUA, já destinou US$ 5 milhões ao desenvolvimento do projeto, voltado a estudos de viabilidade das operações da empresa no Brasil. De acordo com David Hester, diretor-gerente de desenvolvimento de projetos da instituição, o projeto:
“Está alinhado à prioridade de desenvolver cadeias de suprimentos de minerais críticos mais diversificadas e resilientes nos Estados Unidos”
David Hester – DFC
Já Tommee Larochelle, sócio da L3 Process Development, empresa responsável pelo desenvolvimento do processo, afirmou que a unidade “vai além de um projeto piloto tradicional, ao demonstrar um fluxo integrado de separação de terras raras capaz de validar todo o processo e viabilizar a produção de materiais em grau comercial.”

Tecnologia de separação de terras raras. Imagem: Aclara Resources / Divulgação.
A unidade também deverá contribuir para a formação de mão de obra especializada e o avanço de pesquisas aplicadas em parceria com a academia, além de acelerar o desenvolvimento tecnológico da cadeia de terras raras.
Segundo Claus Daniel, do Argonne National Laboratory, “os dados gerados nesta planta piloto contribuirão para o desenvolvimento de um gêmeo digital capaz de melhorar a eficiência operacional e acelerar a entrada em operação de futuras instalações industriais”.
A unidade planejada na Louisiana deverá ser a primeira nos Estados Unidos capaz de produzir volumes relevantes de terras raras pesadas a partir de argilas iônicas, com foco em elementos como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes e tecnologias avançadas.













