De acordo com análise publicada pelo Itaú BBA, a Vale (VALE3) segue sendo a mineradora mais promissora da América Latina. Mesmo diante das oscilações no mercado de minério de ferro e das incertezas econômicas da China, o banco reafirmou sua recomendação de compra para os papéis da empresa. O preço-alvo estimado é de R$ 75, representando uma valorização potencial de 33% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior.
Potencial de valorização
Entre os principais atrativos da Vale está a expectativa de distribuição de dividendos robustos, com retorno estimado em 11% entre 2025 e 2027, segundo cálculos do banco. Analistas destacam a estratégia da companhia de reduzir custos e revisar projetos em andamento, o que pode se refletir em maiores repasses aos acionistas.
Além disso, o Itaú BBA aponta que a mineradora tem feito esforços consistentes para melhorar sua imagem junto a investidores estrangeiros, sobretudo após resolver entraves significativos, como a definição do novo CEO, a renovação da concessão ferroviária e o acordo relacionado à multa de Mariana.
A avaliação do banco ressalta que a empresa caminha para se tornar uma história mais previsível de crescimento de produção, redução de despesas, reestruturação do capital e desalavancagem. Esses fatores podem resultar em uma reclassificação de mercado e diminuição do desconto em relação às concorrentes australianas.
Impacto do mercado
Com relação ao cenário global, a Vale sinaliza que sua estratégia inclui flexibilidade na produção para se adaptar às flutuações do minério de ferro. O contrato futuro da commodity, por exemplo, caiu 1,14% nesta segunda-feira (18), após alta de mais de 2% na sexta anterior, em meio a expectativas sobre os estímulos da China à sua economia.
Mesmo que haja uma possível redução nas taxas de produção de aço no mercado chinês — estimada entre 900 e 950 milhões de toneladas anuais nos próximos 5 a 10 anos —, a mineradora acredita que esse movimento pode ser compensado pelo crescimento da produção em regiões como Índia, Sudeste Asiático e Oriente Médio.
Por outro lado, o UBS-BB demonstrou cautela. A instituição iniciou a cobertura das ações da Vale com recomendação neutra e preço-alvo de US$ 10,5 para as ADRs, destacando incertezas sobre a estabilidade do minério de ferro. Segundo os analistas, a produção global deve crescer cerca de 1%, enquanto os preços devem permanecer em torno de US$ 100 por tonelada.
A corretora também chama atenção para os riscos financeiros relacionados às indenizações de Mariana e Brumadinho, cujos valores podem chegar a R$ 170 bilhões (cerca de US$ 30 bilhões), impactando o fluxo de caixa da companhia.