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Por Ricardo Lima
O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, convidou o Brasil para integrar um novo bloco comercial voltado à cooperação no setor de minerais críticos. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (4) pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance, durante reuniões no Departamento de Estado, em Washington. Informações da CNN Brasil.
Além do Brasil, outros 54 países que participaram dos encontros também receberam o convite para aderir à iniciativa, que tem como foco a reorganização da cadeia produtiva global desses minerais, hoje fortemente concentrada na China.
Representantes da embaixada do Brasil nos Estados Unidos estiveram presentes nas reuniões em que os convites foram formalizados. O governo norte-americano busca ampliar rapidamente o número de países participantes para acelerar a implementação dos acordos.
“Fico satisfeito que muitos dos senhores aqui hoje já tenham aderido a este plano. Alguns ainda não o fizeram e, para aqueles que ainda não chegaram a esse estágio, esperamos que as discussões de hoje incentivem a conclusão desses acordos o mais rapidamente possível”, afirmou o vice-presidente JD Vance, dirigindo-se aos representantes estrangeiros.
Países do G7 também aderem ao acordo
Horas após os encontros, União Europeia e Japão, que figuram entre as sete maiores economias do mundo, assim como o México, firmaram acordos, em formatos distintos, com os Estados Unidos no setor de minerais críticos. O movimento reforça o principal objetivo do novo grupo: reduzir a dependência global da China, que domina grande parte da cadeia produtiva desses insumos, desde a mineração até o refino e a fabricação de produtos de maior valor agregado.
Mineradoras de países ocidentais acusam a China de influenciar o mercado global de terras raras e outros minerais estratégicos por meio de subsídios estatais, expansão coordenada da oferta e práticas classificadas como “precificação predatória”.
Segundo essas empresas, o modelo provoca ciclos de excesso de produção e quedas abruptas de preços, o que dificulta a viabilidade econômica de projetos fora do território chinês. A Agência Internacional de Energia (IEA) já alertou para os riscos dessa concentração. Para a entidade, trata-se de um cenário que representa “um risco geopolítico severo”, ao permitir que Pequim influencie preços e o acesso a tecnologias estratégicas.
Estratégia dos EUA e cautela brasileira
A principal estratégia do governo norte-americano com a criação do bloco é reduzir os riscos associados à alta concentração da produção. Entre as propostas discutidas está a criação de mecanismos de referência e pisos de preços para determinados minerais críticos, com o objetivo de garantir previsibilidade aos investimentos e evitar distorções severas no mercado.
A lógica segue modelos já adotados em acordos recentes entre países ocidentais, como o firmado entre Estados Unidos e Austrália, que prevê contratos de longo prazo e mecanismos de proteção contra oscilações extremas de preços.
Apesar do convite, integrantes do governo brasileiro avaliam, de forma preliminar, que a proposta precisa ser analisada com cautela. Há preocupações relacionadas a possíveis condicionantes comerciais, riscos de exclusividade e impactos sobre a autonomia da política comercial do país, além da necessidade de compatibilizar a iniciativa com outros acordos e parcerias estratégicas já em andamento.














