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Novo método com hidrogênio pode tornar mineração em águas profundas menos poluente, revela estudo

Técnica baseada em plasma reduz emissões na extração de metais de nódulos oceânicos, mas impactos ambientais seguem sob debate

1 de dezembro de 2025
em Tecnologia & Inovação
0
Novo método com hidrogênio pode tornar mineração em águas profundas menos poluente, revela estudo

A mineração em águas profundas ainda é alvo de preocupação global. Imagem: New Scientist / Reprodução.

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Por Ricardo Lima

Um novo método de processamento de metais com hidrogênio pode diminuir a pegada de carbono da mineração em águas profundas, caso esta atividade avance no futuro, aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Max Planck para Materiais Sustentáveis, na Alemanha. A tecnologia usa plasma de hidrogênio para separar metais presentes em nódulos polimetálicos, abundantes no fundo do mar e ricos em manganês, níquel, cobre e cobalto. Informações segundo a New Scientist

Os pesquisadores afirmam que o processo pode operar sem emissões de CO₂ quando alimentado por energia renovável, mas especialistas alertam que a questão ambiental da mineração submarina vai além das emissões.

Como funciona o processo

Ilustração do método que usa hidrogênio para extrair metais de nódulos polimetálicos oceânicos. Imagem: Science Advances / Divulgação.

A mineração em águas profundas é alvo de preocupação global, pois a coleta de nódulos no leito oceânico pode danificar ecossistemas ainda pouco conhecidos. Apesar disso, alguns cientistas acreditam que a exploração é apenas uma questão de tempo. “Acho que há uma boa chance de que um dia as pessoas vão minerar esses nódulos”, afirma Ubaid Manzoor, autor do estudo. “É melhor termos um bom processo de extração do que adicionar mais um processo sujo”.

Hoje, iniciativas industriais, como a da canadense The Metals Company, utilizam técnicas baseadas em combustíveis fósseis, emitindo cerca de 4,9 quilos de CO₂ para cada quilo de metal produzido. O novo método elimina o uso de forno de aquecimento inicial e coloca os nódulos triturados diretamente em um forno de arco elétrico com hidrogênio e argônio. A reação forma um plasma capaz de quebrar óxidos e liberar os metais puros, gerando como subprodutos apenas água e compostos de manganês reutilizáveis.

Os autores afirmam que, se o hidrogênio for “verde”, a etapa de fundição poderia ocorrer sem emissões. No entanto, hoje a maior parte do hidrogênio ainda é produzida com combustíveis fósseis.

Especialistas lembram que a mineração terrestre também é altamente poluente, mas pode ser regulada e abastecida por hidrogênio verde e energia renovável. “Não vemos nenhuma vantagem fundamental da mineração submarina em termos de pegada de carbono”, diz Mario Schmidt, da Universidade de Pforzheim. “A sustentabilidade da mineração em águas profundas falha por causa da ameaça à biodiversidade marinha”.

Os minérios encontrados no fundo oceânico, além de abundantes, têm concentrações mais altas, tornando a extração mais barata. Imagem: Science Advances.

Para outros pesquisadores, como David Dye, do Imperial College London, avanços tecnológicos podem tornar a atividade mais competitiva.
“Ao resolver a metalurgia de extração depois da coleta no fundo do mar, talvez seja possível abrir espaço para um caso econômico e ambiental mais atraente”, afirma.

Manzoor ressalta que o estudo não é um apoio à mineração em águas profundas e que os impactos ambientais precisam ser completamente avaliados antes de qualquer avanço.

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