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por Fernando Moreira de Souza
O Diretor Executivo da Graphcoa, Ricardo Alves, falou com exclusividade ao Minera Brasil e demonstrou como a empresa tem se destacado no processo de transição energética no Brasil. Ele explica que a Graphcoa deu início, em dezembro de 2024, às atividades de sua primeira unidade integrada de produção de grafite em Itagimirim, no sul da Bahia. “Combinando mina e unidade de concentração, a instalação passará por um período de ramp-up de oito meses, com previsão de atingir sua capacidade total de 5.500 toneladas anuais até agosto de 2025”. – disse Alves. “Paralelamente, avançam estudos para a implantação de duas novas unidades produtivas, que deverão adicionar 60.000 toneladas à capacidade total da empresa”. A conclusão desses projetos está prevista para o final de 2025.
Os investimentos na exploração e produção de grafite contam com financiamento da Appian Capital Brazil e devem ultrapassar R$ 2 bilhões até 2028. No primeiro ciclo do projeto, a mina Boa Sorte, em Itagimirim, recebeu um aporte inicial de R$ 350 milhões. A iniciativa prioriza eficiência operacional e sustentabilidade, incorporando um sistema avançado de concentração com sete etapas de flotagem sequencial para otimizar o aproveitamento do mineral.
A nova planta também se destaca pelo alto grau de automação e monitoramento remoto, garantindo maior estabilidade operacional e rastreabilidade em tempo real. No aspecto ambiental, a empresa eliminou a necessidade de barragens de rejeitos. Em seu lugar, um sistema de filtragem permite o empilhamento e compactação segura dos resíduos, reduzindo impactos ambientais.
Com papel essencial na transição energética, o grafite é insumo fundamental na fabricação de baterias para veículos elétricos e outras tecnologias sustentáveis. O Brasil, que possui uma matriz elétrica predominantemente renovável e expressivas reservas de minerais críticos, como lítio, níquel e cobre, assume posição estratégica no setor.
Atenta ao crescimento da demanda global, a Graphcoa desenvolveu um portfólio diversificado de produtos voltados a diferentes segmentos industriais. Entre as principais linhas estão a Graphcoa Flakes, Graphcoa Fine Flakes e Graphcoa Powders. Além de atender ao mercado nacional, a empresa planeja exportação, fortalecendo sua posição como fornecedora estratégica na cadeia global de insumos para a transição energética.

Minera Brasil – Como está o andamento das obras da planta da mina Boa Sorte?
Ricardo Alves – A operação da primeira planta da Graphcoa foi iniciada em dezembro de 2024. Trata-se de unidade integrada (mina + concentração) localizada na cidade de Itagimirim (BA). As próximas fases encontram-se em estágio de desenvolvimento (estudo de viabilidade).
Minera Brasil – A unidade terá capacidade para produzir 5,5 mil toneladas anuais de concentrado de grafite?
Ricardo Alves – É previsto um ramp-up de oito meses, ou seja, a produção de grafite nessa instalação seguirá uma curva ascendente até agosto de 2025, quando a planta atingirá sua escala de produção prevista em projeto (5.500t por ano). Além da operação da primeira unidade de produção, esse ano a Graphcoa concluirá o estudo de viabilidade de outras duas unidades que, combinadas, poderão agregar mais 60.000 t/ano de concentrado de grafite em sua capacidade de produção.
Minera Brasil – A empresa já pensa em expandir a produção?
Ricardo Alves – A Graphcoa detém 15 direitos minerários com alto potencial de produção de grafite natural de alta pureza. O estudo de viabilidade para atingimento da escala de 65.500t será concluído ainda em 2025.
Minera Brasil – Qual valor do investimento previsto?
Ricardo Alves – O investimento da Appian Capital Brazil para implantação de ativos de exploração e produção do concentrado de grafite na Graphcoa poderá superar R$ 2 bilhões até o final de 2028. Nessa primeira etapa, implementação da mina Boa Sorte no município baiano de Itagimirim, no Sul da Bahia, investiu-se R$ 350 milhões.
Minera Brasil – Quais são as novas tecnologias adotadas pela Graphcoa na planta de beneficiamento?
Ricardo Alves – A planta da Graphcoa foi concebida com foco em eficiência, tecnologia e responsabilidade ambiental. Um dos principais diferenciais é o processo de concentração de grafite, que conta com até sete etapas de flotação sequencial, otimizando a recuperação do grafite em diferentes faixas de liberação. Desde o início, a operação foi estruturada com alto nível de instrumentação e automação. Todas as etapas do processo são monitoradas e controladas remotamente a partir de uma sala de controle, garantindo estabilidade operacional e rastreabilidade em tempo real. Outro ponto importante é o compromisso ambiental. A planta construída em Itagimirim opera sem a necessidade de barragem de rejeitos, adotando um sistema de filtragem que permite o empilhamento e compactação dos resíduos de forma segura e ambientalmente responsável.
Minera Brasil – Quais produtos a empresa pretende oferecer ao mercado?
Ricardo Alves – O grafite tem se tornado um material essencial para vários setores industriais, tornando-se um mineral crítico para a descarbonização e para a transição energética. Em linha com sua estratégia de negócios, a Graphcoa lança o seu portfólio de grafites concentrados que busca atender os mais diversos segmentos de mercado. Pensando nisso a Graphcoa desenvolveu três linhas de produtos standard, cada uma focada em características do grafite e nas demandas do mercado: Graphcoa Flakes, Graphcoa Fine Flakes e Graphcoa Powders.
Minera Brasil – Na sua avaliação qual papel do Brasil na transição energética?
Ricardo Alves – O Brasil tem um papel estratégico na transição energética global, tanto pelo seu potencial natural quanto pelo avanço tecnológico em setores-chave. Já partimos de uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o que é um grande diferencial em relação a maioria dos países. Além disso, o Brasil possui reservas significativas de minerais críticos, como lítio, níquel, cobre e, claro, o grafite. Esses minerais são fundamentais para a produção de baterias e outras tecnologias verdes. Isso posiciona o país não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas como um potencial protagonista em cadeias de valor estratégicas para a descarbonização.
O grafite, como mencionado, é um mineral estratégico essencial para transição energética. Assim, as projeções de aumento de demanda pelo grafite são encorajadoras, em especial para aplicação em baterias de veículos elétricos. Além disso, há também foco na expansão orgânica da demanda, destacando os mercados de refratários, carburantes e agricultura. Além do mercado nacional, a Graphcoa prevê a exportação do minério para outros países, credenciando-a como fornecedor estratégico de matérias-primas essenciais para a transição energética.
Appian vende Mineração Vale Verde para grupo chinês
A Appian Capital Advisory LLP concluiu a venda da Mineração Vale Verde (MVV) para o Baiyin Nonferrous Group Co., Ltd., em um acordo de US$ 420 milhões. Com a transferência total da propriedade, o grupo chinês assume a gestão da Mina Serrote, enquanto a Appian fornecerá suporte operacional durante a transição.
A Appian, especializada na valorização de ativos minerais, já realizou 13 transações no setor. Seu CEO, Michael W. Scherb, destacou a capacidade da empresa em transformar ativos e atender à demanda por minerais críticos. A gestora manteve altos padrões ambientais, sociais e de governança (ESG) durante sua administração da MVV.
A transação, estruturada livre de caixa e dívidas, contou com assessoria financeira do Standard Chartered e do Citigroup, além de suporte jurídico do Norton Rose Fulbright. A Baiyin Nonferrous reafirmou seu compromisso com a segurança e as práticas ESG. Com a venda, a Appian fortalece sua estratégia no setor de mineração e amplia sua presença global.