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Por Ricardo Lima
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil vai organizar um simpósio sobre minerais críticos em São Paulo, em meio à intensificação das articulações internacionais para reduzir a dependência global da China nesse mercado estratégico. A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), general da reserva Fernando Azevedo e Silva, durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira (3), e por integrantes da Embaixada dos EUA ao CNN Money.
Segundo Fernando Azevedo e Silva, a embaixada solicitou o apoio do Ibram na organização do simpósio e pretende convidar as principais mineradoras que atuam no segmento de minerais críticos no país. A proposta é que o evento seja realizado em março, na capital paulista.
O encontro ocorre em meio à estratégia do governo de Donald Trump de reduzir a dependência dos Estados Unidos de insumos produzidos pela China e de reforçar a soberania mineral americana. Atualmente, o país asiático domina grande parte da cadeia global desses minerais, desde a extração até o refino e a fabricação de produtos de maior valor agregado.
Essa concentração tem sido alvo de críticas por parte de países ocidentais, que veem riscos geopolíticos e econômicos na dependência excessiva de um único fornecedor. Em outubro, o encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, sugeriu a criação de um grupo de trabalho para discutir possíveis parcerias entre Brasil e Estados Unidos no setor de minerais críticos e estratégicos, com foco especial em terras raras.
A proposta foi apresentada durante reunião entre o diplomata, representantes de mineradoras e o Ibram. Desde então, Escobar vem realizando uma série de encontros com empresas do setor em busca de potenciais acordos. O principal foco das conversas tem sido projetos ligados a terras raras, articulação que ganhou força após a China impor restrições à exportação desses insumos.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que cerca de 91% do refino global de terras raras é feito por empresas chinesas, responsáveis também por aproximadamente 94% da produção de ímãs permanentes utilizados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.
Mineradoras ocidentais acusam a China de influenciar o mercado global desses minerais por meio de subsídios, expansão coordenada da oferta e práticas de “precificação predatória”, o que resulta em ciclos de excesso de produção e queda de preços, dificultando a viabilidade de projetos fora do país asiático.
Paralelamente, o Export-Import Bank of the United States (EXIM Bank), braço financeiro do governo americano voltado ao apoio a exportações e a projetos considerados estratégicos no exterior, já anunciou cartas de intenção de financiamento para projetos de lítio e terras raras no Brasil, reforçando o interesse dos Estados Unidos em ampliar sua presença no setor mineral brasileiro.














