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Por Ricardo Lima
A ADL Mineração, empresa privada brasileira, realizou no último domingo (5/4) o primeiro embarque de monazita para exportação após sete anos, marcando a retomada brasileira da venda do mineral que contém terras raras. O carregamento, enviado em contêiner com destino ao Canadá, marca ainda a retomada do setor privado na exportação do mineral.
Apesar da retomada, o país ainda não realiza as etapas mais avançadas de processamento, que continuam sendo feitas no exterior devido à complexidade técnica, custos elevados e exigências ambientais associadas ao refino da monazita.
A expectativa da ADL Mineração é exportar entre 500 e 1.000 toneladas de monazita até o fim de 2026, atendendo mercados como Canadá, Estados Unidos e China. Em um horizonte de dois anos, a empresa projeta atingir cerca de 3 mil toneladas anuais.
A última exportação de monazita foi há 7 anos e realizada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A monazita é um mineral que contém terras raras, grupo de elementos considerados estratégicos para a indústria moderna, com aplicações em ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e tecnologias de defesa. No entanto, sua exploração apresenta desafios superiores aos de outros depósitos atualmente predominantes no Brasil.
Ao contrário das argilas iônicas, nas quais as terras raras estão adsorvidas na superfície do solo e podem ser extraídas por processos químicos mais simples, na monazita esses elementos permanecem presos à estrutura do mineral, o que exige etapas mais complexas, maior consumo de energia e investimentos mais elevados.
Outro fator que encarece e dificulta o processo é a presença frequente de elementos radioativos, como tório e urânio, o que torna o licenciamento ambiental mais rigoroso e aumenta os custos operacionais.
Atualmente, a maior parte dos projetos de terras raras em desenvolvimento no Brasil está baseada em argilas iônicas, justamente por serem mais simples e rápidas de viabilizar. Já a monazita, embora relevante, costuma ser exportada ainda em estágios iniciais da cadeia produtiva, com menor agregação de valor no país.
No caso da ADL, o material é vendido na forma bruta ou concentrada e posteriormente processado no exterior, onde passa por etapas industriais mais avançadas até se transformar em produtos de maior valor.
Alguns projetos no Brasil, contudo, começam a avançar na cadeia produtiva. É o caso da Meteoric Resources, que já produz, em escala de testes, carbonato misto de terras raras, um produto intermediário obtido após o processamento químico do minério.
Esse avanço representa maior agregação de valor e aproxima o país de fases industriais mais estratégicas, como a separação de óxidos individuais. Essa etapa, que inclui elementos como neodímio e praseodímio usados em ímãs permanentes, é considerada uma das mais complexas e tecnologicamente restritas da cadeia global, atualmente concentrada principalmente na China.














