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Por Ricardo Lima
As ações da mineradora francesa de metais Eramet registraram forte queda nesta segunda-feira (2) na Bolsa de Paris, após a demissão inesperada do CEO ítalo-brasileiro Paulo Castellari, menos de um ano após sua nomeação como executivo chefe, em 13 de fevereiro de 2025. A decisão surpreendeu o mercado e reacendeu questionamentos sobre a governança do grupo, que atua nos segmentos de níquel, manganês e lítio e tem o Estado francês como um de seus principais acionistas. Informações segundo a Reuters e a Global Banking and Finance.
A companhia informou que a saída ocorreu por divergências sobre “métodos operacionais” e anunciou o retorno temporário da presidente do conselho, Christel Bories, ao cargo de CEO.
O movimento refletiu a surpresa dos investidores com a mudança abrupta no comando da empresa, num momento em que o grupo enfrenta resultados em queda e aumento do endividamento, pressionado por mercados metálicos fracos e investimentos no setor de lítio para baterias.
Mercado reagiu com surpresa
Analistas do setor demonstraram espanto com a decisão. Paulo Castellari vinha sendo creditado por iniciar um processo de reestruturação na companhia, com foco em eficiência operacional e recuperação financeira.
“Este anúncio chega como um choque”, afirmou Maxime Kogge, analista do banco Oddo BHF, em relatório a clientes. “Com a saída dele, a Eramet entra em mais um período de transição, o que torna mais difícil implementar reduções de custos e melhorias operacionais tão necessárias.”
Em dezembro, Castellari havia apresentado planos iniciais para recuperar o desempenho da empresa, incluindo ganhos de produtividade no negócio de manganês no Gabão.
O que diz a companhia
No domingo, a Eramet anunciou oficialmente a demissão do executivo, citando divergências sobre métodos de gestão. Christel Bories, que havia deixado o cargo de CEO em maio para assumir apenas a presidência do conselho, foi reconduzida temporariamente à função executiva.
Bories afirmou a jornalistas que havia problemas de coordenação entre Castellari, o conselho de administração e as equipes internas.
Segundo ela, a demissão “não teve qualquer relação com os resultados financeiros” e a estratégia do grupo “permanece inalterada”.
Uma fonte ligada à empresa afirmou que as tensões entre Bories e Castellari sobre o processo de tomada de decisões já eram conhecidas, mas que, ainda assim, a demissão pegou muitos funcionários de surpresa.
Histórico de disputas internas
A governança da Eramet já havia sido palco de disputas recentes. Em 2021, os principais acionistas entraram em conflito sobre a recondução de Christel Bories para um segundo mandato como CEO e presidente do conselho. À época, a família Duval tentou substituí-la antes de concordar com sua permanência.
O Ministério da Economia da França, por meio de um representante, declarou que o Estado “reafirma seu compromisso com a estabilidade e o desempenho da Eramet”, sem comentar diretamente a saída do CEO. O governo francês é o segundo maior acionista da empresa, atrás da família Duval, controladora histórica do grupo.
De acordo com analistas, interesses divergentes entre os principais acionistas podem dificultar a escolha de um novo CEO.
A demissão repentina de Castellari, agora, reacende o debate sobre estabilidade administrativa e estratégia de longo prazo na mineradora.












